A aprovação, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, do PL 4.380/2025 — que contempla medidas para promover a desestatização da Copasa — marca um novo capítulo no trilho institucional da companhia. O projeto segue para o Governador e “permanece sujeito às tramitações legislativas pertinentes”. A comunicação foi feita via Fato Relevante, em atendimento à Resolução CVM 44/2021, e em continuidade aos FRs de 14/11/2024 e 05/11/2025. Na prática, este passo dá sequência direta às diretrizes do controlador de 05/11/2025 para estudos e modelagens de eventual desestatização, que organizaram a etapa técnica sob governança, preservação dos minoritários e condicionamento a autorização legislativa específica.

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Desde então, a companhia vem preparando os alicerces regulatórios e contratuais que dão previsibilidade ao fluxo de caixa e viabilizam uma modelagem competitiva, equalizando prazos e alinhando metas ao Novo Marco do Saneamento. Essa engenharia antecede uma decisão societária e reduz assimetrias entre municípios, condição‑chave para precificação de riscos, universalização e modicidade tarifária. Esse fio condutor ficou claro quando a Copasa iniciou a notificação aos municípios para converter instrumentos e equalizar vigências até 2073, desenhando um mosaico contratual mais homogêneo para qualquer estrutura de controle.

Na sequência, o maior polo atendido do estado avançou na pactuação de metas e prazos, reforçando a visibilidade de receitas e a governança contratual. A harmonização com a capital é particularmente relevante para reduzir dispersões jurídicas, ancorar cronogramas de investimento e preparar a base de ativos para o ciclo regulatório de 2026–2029. Esse arranjo foi materializado no acordo com Belo Horizonte que reconhece a necessidade de estender contratos até 07/02/2073, marco que conversa diretamente com a discussão legislativa ao oferecer previsibilidade ao investidor sem antecipar decisão sobre o modelo final.

Para o investidor, a aprovação do PL na ALMG reduz incerteza política e aumenta a opcionalidade, mas ainda não configura decisão final: o texto seguirá para sanção e pode sofrer ajustes. Em paralelo, a companhia reforçou caixa regulatório e disciplina operacional para sustentar a tese no próximo ciclo, o que ajuda a explicar o interesse crescente de casas especializadas. Nesse contexto, ganhou tração a ampliação de exposição econômica por parte de fundos da Perfin, movimento típico de estratégias event‑driven que buscam capturar marcos societários preservando flexibilidade. A Copasa reiterou que manterá o mercado informado e que eventuais próximos passos continuarão condicionados ao rito legislativo e às deliberações do controlador.

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