A COPASA (CSMG3) informou ter recebido, em 05/11/2025, ofício do acionista controlador (Estado de Minas Gerais) que formaliza diretrizes e recomenda à administração a realização de estudos e modelagens para subsidiar eventual decisão sobre a desestatização da companhia. O documento, de caráter técnico e preparatório, destaca referência às melhores práticas de governança e integridade, validação prévia do escopo pelo controlador, execução em cooperação com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e tratamento dos custos: inclusão na modelagem econômico-financeira da operação, com reembolso à companhia caso a desestatização não ocorra por decisão do controlador. O ofício também ressalta a preservação dos interesses dos acionistas minoritários e condiciona qualquer decisão à autorização legislativa específica, em linha com o debate do PL 4380/2025 e com o Fato Relevante de 14/11/2024.
Na prática, o encaminhamento consolida a agenda societária que vinha ganhando tração ao longo do ano, quando o mercado já monitorava potenciais reconfigurações acionárias e a atuação do BNDES no diagnóstico da participação do Estado. Esse pano de fundo foi sinalizado pelo aumento de atenção ao quadro societário e pela avaliação econômico-financeira pelo BNDES sobre a participação do Estado e maior atenção ao quadro societário, contexto típico de fluxos event-driven que antecedem decisões estruturantes. O ofício agora organiza a etapa técnica: estudos de pré-viabilidade, avaliação de contratos e ativos, desenho de modelagem e governança do processo, sem antecipar decisão final. Em paralelo, o debate legislativo (PL 4380/2025) define o trilho institucional, enquanto a companhia mantém comunicação contínua ao mercado e reitera a proteção aos minoritários no rateio de custos e benefícios da eventual operação — pontos que tendem a ser centrais na precificação do ativo e na confiança dos investidores. Do lado econômico-operacional, o valor da companhia para qualquer modelagem se ancora em métricas e execução recente, como evidenciado no 3T25: aceleração de CAPEX, alavancagem de 2,1x e execução alinhada ao ciclo 2026–2029, combinando crescimento de base, disciplina financeira e avanço de indicadores de perdas e produtividade.
Essa costura entre agenda societária e fundamentos operacionais é reforçada pela prioridade de execução em campo. Em um processo de desestatização, a previsibilidade de entrega e a padronização de processos reduzem riscos e sustentam a tese de eficiência regulatória no próximo ciclo. Nesse sentido, a companhia já vinha preparando o terreno com a reestruturação no comando de Operações iniciada em outubro, alinhando liderança, integração com municípios e padronização a metas de qualidade e expansão de esgoto. Em síntese, o ofício não decide a desestatização, mas consolida uma fase técnica que, somada à robustez operacional e ao trâmite legislativo, pavimenta a tomada de decisão do controlador — com ênfase em governança, equilíbrio entre custos e benefícios e transparência aos acionistas.







