A ARSESP autorizou, via Deliberação nº 1.748/2025, um reajuste médio de 6,5% nas tarifas da Sabesp a partir de 1º de janeiro de 2026. Em leitura preliminar da companhia, o movimento implica aumento de 10,6% na tarifa de equilíbrio — isto é, no nível de receita regulatória necessário para cobrir custos eficientes e remunerar a base de ativos. O fato relevante, assinado pelo CFO e diretor de RI, Daniel Szlak, foi divulgado sob a Resolução CVM 44 e informa que Nota Técnica e planilha suporte foram publicadas pela agência. A companhia indicou que trará esclarecimentos adicionais sobre os principais itens do reajuste.

Continua após o anúncio

Este reajuste consolida a arquitetura regulatória construída ao longo de 2025, especialmente após a validação da BAR 2023–2024 pela ARSESP, que ancora a receita de equilíbrio. A Base de Ativos Regulatória é o alicerce sobre o qual incidem depreciação e remuneração regulatórias; quando confirmada e reconciliada, reduz incertezas na leitura de caixa regulatório e oferece trilhos mais claros para deliberações tarifárias subsequentes. Na prática, o aumento médio de 6,5% e a leitura de 10,6% para a tarifa de equilíbrio refletem o balanceamento entre custos operacionais (como energia, químicos e manutenção), inflação regulatória, dinâmica de volumes e composição de classes (social, residencial, comercial, industrial), além de ajustes metodológicos que vêm sendo padronizados no contrato 01/2024. Ao anunciar que detalhará os itens do reajuste, a Sabesp sinaliza continuidade na transparência de critérios e premissas, elemento central para a previsibilidade do ciclo 2026.

O movimento também dialoga com a padronização regulatória e de comparabilidade que a administração vinha reforçando. Nos resultados do 3T25, com harmonização do FAUSP e mudança do mix de preço/volume, a companhia explicitou pontes entre reportado e ajustado, detalhou efeitos não recorrentes e destacou a evolução do índice de preço para grandes clientes — fatores que impactam a curva de receita regulatória ao longo dos próximos ciclos. Ao estabilizar metodologia e disclosure, a empresa facilita a modelagem de margens e a projeção de cash flows regulatórios, o que, por sua vez, retroalimenta decisões de investimento e o custo de capital. Esse encadeamento ficou evidente no mercado de dívida local, com a obtenção de rating AAA(bra) da 37ª emissão de debêntures, em que a previsibilidade regulatória foi um pilar. Em síntese, um reajuste autorizado em linha com a capacidade remuneratória da BAR, combinado a métricas padronizadas, tende a sustentar funding de longo prazo e execução de um capex intensivo e multianual.

Pelo lado dos custos, a empresa também vem atacando vetores que pressionam a tarifa no médio prazo — em especial energia elétrica, insumo relevante no bombeamento e adução. A verticalização água–energia e a redução da volatilidade por meio de PPAs firmes sinalizam menor dependência do mercado de curto prazo e maior previsibilidade do OPEX regulatório, contribuindo para moderação de pedidos futuros de reequilíbrio. Esse capítulo avançou recentemente com os contratos definitivos de autoprodução de energia, que alinham descarbonização, segurança de suprimento e hedge estrutural de custos. Em conjunto, a autorização tarifária de 2026, a BAR validada, a padronização metodológica e a estratégia energética compõem uma narrativa coerente: previsibilidade regulatória, eficiência operacional e funding robusto sustentando a universalização com estabilidade de métricas no pós-privatização.

Publicidade
Tags:
SABESPSBSP3