A Sabesp reportou no 3T25 lucro líquido ajustado de R$ 1,284 bi (+9,5% a/a), EBITDA ajustado de R$ 3,206 bi (+14,7%, margem de 58,6%) e forte geração de caixa operacional (R$ 1,723 bi; conversão de 53,7%). A administração apresentou ponte entre reportado e ajustado para isolar efeitos não recorrentes (ativo financeiro URAE‑1 e precatórios), e a leitura de comparabilidade segue ancorada no recalibramento do contrato 01/2024 após a harmonização do FAUSP no 3T25 e padronização tarifária definida pela ARSESP. Diferentemente de trimestres anteriores, a receita combina ganho de preço em Demanda Firme, efeito volume por novas economias e trocas de hidrômetros, e maior peso de ligações sociais (CADÚNICO), ao passo que o índice de preço para grandes clientes saltou para 163 no 3T25 (vs. 100 no 4T24), com impactos a endereçar no ciclo tarifário de 2027.
No EBITDA, contribuíram FMSAI, reversões de PECLD, acordos judiciais e melhora de 11 p.p. no mix entre mercado livre e regulado, além de ganhos de eficiência com base de colaboradores 13% menor. Comercialmente, o trimestre mostrou execução: 1 milhão de novos hidrômetros, arrecadação de 101% (pico desde a privatização) e avanço do projeto AMI (4,4 milhões de medidores até 2029, roll‑out em dez/25). Esse fortalecimento operacional se apoia na estratégia de resiliência e integração de sistemas, reforçada pela aquisição da EMAE e a integração hídrica‑energética Guarapiranga–Billings, que aumentam a flexibilidade entre bacias e ajudam a desacoplar a operação de choques climáticos. Com redes mais inteligentes e disponibilidade hídrica integrada, a companhia sustenta a expansão de ligações e a melhora de medição, reduz perdas e preserva qualidade e continuidade do serviço.
Em capital, as emissões de R$ 4,9 bi em julho, caixa de R$ 11,6 bi e 59% da dívida vencendo a partir de 2030 indicam alongamento de passivos compatível com um ciclo intensivo de capex. Esse desenho dá continuidade à arquitetura de funding multicanal do pós‑privatização, que combina previsibilidade regulatória e títulos longos locais. A validação de crédito veio com o rating AAA(bra) da Fitch à 37ª emissão de debêntures, marco que pavimenta execuções sob registro automático e casa passivos com obras de adução, automação e medição inteligente. A relação Dívida Líquida/EBITDA ajustado em 4,1x e o EBITDA/Despesa Financeira em 1,9x (UDM) sugerem disciplina no ramp‑up de investimentos, com liquidez suficiente para mais de quatro anos de amortizações.
O capex do 3T25 atingiu R$ 4,0 bi (execução), +151% a/a, com foco em esgoto (R$ 2,823 bi) e água (R$ 1,155 bi), 13 projetos concluídos no trimestre e avanço do Integra Tietê (c. R$ 21,3 bi até 2029). À frente, há backlog de R$ 39 bi até 2029 e iniciativas de resiliência hídrica que devem adicionar +22 m³/s até 2030. No horizonte de sustentabilidade, a companhia reafirmou metas até 2035 — redução de 41% na intensidade de emissões, ‑15% nos Escopos 1, 2 e 3 vs. 2024 e ‑43% no Escopo 2 via energia limpa — em linha com a estratégia climática até 2035, ancorada na verticalização água–energia e na elegibilidade a instrumentos temáticos. Em conjunto, os resultados do 3T25 mostram execução operacional, padronização regulatória e robustez de funding atuando de forma coordenada para sustentar universalização, eficiência e descarbonização no ciclo pós‑privatização.







