O conselho do Itaú Unibanco aprovou o pagamento de dividendos de R$ 1,868223 por ação em 19/12/2025 e de JCP de R$ 0,369750 por ação até 30/04/2026, totalizando R$ 23,4 bilhões. A base será a posição de 09/12, com ex a partir de 10/12; no JCP, há retenção de 15% de IR (líquido de R$ 0,3142875 por ação). Em paralelo, o banco cancelará 78.850.638 ações preferenciais mantidas em tesouraria, sem redução do capital social, medida que complementa o fato relevante de 05/02/2025. Após o cancelamento, o capital de R$ 124,063 bilhões passa a ser representado por 10.705.698.245 ações (5,454 bi ON; 5,252 bi PN), com valores por ação iguais para ITUB3 e ITUB4.

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Este movimento de remuneração robusta, aliado ao cancelamento de ações em tesouraria, consolida a disciplina de alocação de capital e a narrativa de simplificação da estrutura regulatória perseguida em 2025. Na frente de capital adicional, o banco já havia dado um passo relevante com a emissão de R$ 3 bilhões em AT1 em outubro, com impacto estimado de 0,2 p.p. no Nível 1, recompondo a folga em instrumentos perpétuos e calibrando custo e opcionalidade. Ao reduzir o número de ações em circulação, o cancelamento reforça o ganho por ação de proventos e potencializa métricas por ação (como EPS e ROE por ação), sem alterar o capital social, apoiando uma política de payout consistente com o perfil de geração de resultados e com a fase do ciclo de crédito.

Além disso, a decisão de cancelar papéis adquiridos no programa de recompra dialoga com a gestão ativa de passivos regulatórios, que incluiu a opção de recompra de Letras Financeiras Subordinadas Nível 2 emitidas em 2020, reduzindo custo, simplificando a pilha de capital e preservando liquidez. Ao combinar recomposição seletiva de AT1 com a limpeza de LT2 mais caros, o banco criou espaço para sustentar um payout elevado sem comprometer a solvência, enquanto o ajuste do número de ações fortalece a eficiência da remuneração ao acionista e sinaliza confiança na trajetória operacional, mantendo flexibilidade para acompanhar a evolução do RWA e do ciclo de crédito.

Essa coerência aparece também na solvência reportada, com a Basileia de 16,4% e PR de R$ 238,4 bilhões no Pilar 3 do 3T25, que evidenciam folga confortável sobre os mínimos regulatórios e capacidade de absorver choques, mesmo diante do avanço do risco de crédito. Em linha com a execução operacional, o banco entregou crescimento da carteira com qualidade e ROE elevado, mantendo orientação para o ano; o elo entre geração orgânica e payout foi reforçado pela manutenção do guidance de 2025 e ROE recorrente de 23,3% no 3T25. Na prática, os proventos anunciados e o cancelamento de ações representam a materialização financeira de uma estratégia de capital que equilibra solidez, custo e retorno, fechando o ano com clareza sobre a prioridade de remuneração sem abrir mão da capacidade de crescimento.

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