A Sabesp (SBSP3) estabeleceu metas climáticas até 2035 que miram a redução de 41% na intensidade de emissões de GEE — de 1,61 para 0,94 tCO2e por mil m³ de esgoto tratado (base 2024) —, além de queda de 15% nas emissões combinadas dos Escopos 1, 2 e 3 e redução de 43% no Escopo 2 por autoprodução e uso de energia limpa. O cálculo adota, para o SIN, a mediana de 10 anos (0,0745 tCO2e/MWh). O comunicado, assinado pelo diretor financeiro e de RI, Daniel Szlak, ressalta transparência com stakeholders e contextualiza o desafio de conciliar descarbonização com a expansão acelerada do tratamento rumo à universalização.
Este anúncio consolida o vetor de verticalização água–energia que a companhia vem construindo para reduzir a intensidade de emissões ao mesmo tempo em que amplia o volume tratado. A redução prevista no Escopo 2 depende de autoprodução e contratação de energia limpa, movimento diretamente conectado à aquisição da EMAE e a integração hídrica‑energética Guarapiranga–Billings, que adiciona ativos elétricos de longo prazo e maior flexibilidade operacional. Na prática, a combinação de segurança hídrica, eficiência de bombeamento e contratos de energia tende a desacoplar emissões do crescimento operacional, dando lastro técnico às metas até 2035.
Para viabilizar o capex de universalização e descarbonização, a Sabesp vem fortalecendo sua arquitetura de funding. A definição de metas climáticas cria pipeline elegível para instrumentos temáticos e complementa a 37ª emissão de debêntures e a estratégia de funding multicanal para universalização, que alonga passivos e casa prazos com obras de adução, automação e eficiência energética. Esse encadeamento reduz custo de capital para projetos de energia limpa e reforça a resiliência financeira necessária ao ramp-up de investimentos com métricas ESG claras e auditáveis, elemento-chave para manter o apetite de investidores profissionais e a disciplina de execução no ciclo pós‑privatização.
A ênfase em transparência e previsibilidade, destacada no comunicado, também dialoga com o reforço de governança regulatória e contábil observado recentemente. Ao padronizar metodologias e clarificar impactos na receita, a companhia facilita a modelagem dos investidores e dá credibilidade às novas metas, na mesma linha da harmonização do FAUSP no 3T25 e padronização tarifária pela ARSESP. Em conjunto, esses marcos indicam uma trajetória de métricas mais estáveis, financiamento mais barato e execução coordenada entre expansão do serviço, gestão de risco hídrico e descarbonização do portfólio energético.







