Em 30 de setembro de 2025, a Sabesp ajustou a provisão destinada à Conta Vinculada 2 (FAUSP) do Contrato de Concessão nº 01/2024 após a ARSESP definir as tabelas tarifárias de equilíbrio. A partir do 3T25, a provisão passa a refletir diferença de aproximadamente 3,74% entre a receita de equilíbrio e a de aplicação (derivada da tarifa de equilíbrio com fator de 4,2167% sobre as tabelas da Deliberação ARSESP nº 1.514/2024), enquanto o ajuste retroativo de R$ 107 milhões referente ao 3T24–2T25 será reconhecido no 3T25. Este movimento afeta a comparabilidade do trimestre e consolida a harmonização entre o critério aplicado e o arcabouço regulatório, em linha com os números do 2T25, quando a receita ajustada já destacava o efeito do FAUSP (-4%).

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Na prática, a companhia vinha provisionando com base no Apêndice Único do Anexo V e no Anexo VIII (itens 13.4 e 13.5) do contrato, o que implicou diferença de cerca de 3,22% no período 3T24–2T25. Ao recalibrar para aproximadamente 3,74% a partir do 3T25, a Sabesp padroniza o cálculo ao novo referencial tarifário definido pela ARSESP e concentra no 3T25 o reconhecimento do delta acumulado (R$ 107 mi). Para o investidor, isso sugere um trimestre com efeito contábil retroativo na linha de provisões do FAUSP e uma trajetória prospectiva mais previsível da receita líquida ajustada sob o desenho do contrato 01/2024.

Além do mérito técnico, o anúncio reforça um padrão de previsibilidade regulatória e comunicação tempestiva em ciclos críticos. Em agosto, a companhia já havia sinalizado disciplina na interlocução com o regulador e transparência ao mercado no comunicado de 26/08 sobre as deliberações ARSESP 1.703/25 e 1.704/25 e o compromisso público de comunicação. O ajuste do FAUSP segue o mesmo playbook: explicita a regra, quantifica o impacto e antecipa a forma de reconhecimento. Essa postura reduz assimetria, facilita a modelagem de margens e ajuda a isolar, nas análises do 3T25, o componente retroativo versus a nova base corrente de provisão (~3,74%).

Por fim, a decisão de manter o mercado informado conecta-se à governança de RI reforçada recentemente, com a inclusão do Portal MZ como canal oficial de Fatos Relevantes em linha com a CVM 44. Para leitura dos próximos resultados, vale monitorar: 1) a segregação do efeito retroativo (R$ 107 mi) na DRE; 2) a nova taxa de provisão aplicada sobre a receita de aplicação; e 3) eventuais impactos colaterais sobre indicadores como EBITDA e fluxo de caixa regulatório, preservando a comparabilidade com o 2T25, quando o FAUSP já pesava na dinâmica de receita.

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