A Sabesp (SBSP3) celebrou contratos de compra e venda com a Vórtx (agente fiduciário dos debenturistas de Phoenix Água e Energia S.A.) e com a Eletrobras para adquirir participações na EMAE. Após a consumação, passará a deter 70,1% do capital social total da Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A., por um valor agregado de R$ 1,131 bilhão, sujeito a aprovações regulatórias e concorrenciais. Os acordos contemplam a compra de 74,9% das ações ordinárias a R$ 59,33 por ação e 66,8% das preferenciais a R$ 32,07, reforçando duas frentes: integração hídrica entre Guarapiranga e Billings e acesso a ativos elétricos com receitas de longo prazo indexadas à inflação.

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Estratégicamente, a aquisição consolida a agenda de segurança hídrica e resiliência operacional da RMSP, ao permitir maior flexibilidade de transferência entre bacias e gestão integrada dos reservatórios. Esse movimento dá continuidade ao regime preventivo adotado no período seco, tal como no regime de prevenção e contingência para o abastecimento na RMSP aprovado pela ARSESP em agosto. Ao verticalizar água e energia num mesmo ecossistema, a companhia amplia a capacidade de resposta a choques climáticos, melhora a orquestração de bombeamento e adução em cenários críticos e cria redundâncias que reduzem a volatilidade de oferta, com ganhos de confiabilidade e previsibilidade para o atendimento da demanda metropolitana.

A integração Guarapiranga–Billings também conversa com a expansão acelerada de ligações e metas de universalização até 2029, pois adiciona robustez operacional para sustentar crescimento orgânico sem perdas de qualidade. Em 2024-2025, a companhia vem ampliando a base atendida e a capacidade de esgotamento; essa tração ficou evidente na atualização de julho do Fator‑U, com overdelivery em água. Com uma base maior de economias e obras de esgoto e tratamento em rampa, a disponibilidade hídrica integrada tende a reduzir gargalos de pressão, otimizar manobras de rede e acelerar ativações, preservando indicadores de continuidade e reduzindo riscos de restrição em picos de consumo.

No vetor financeiro, os ativos elétricos da EMAE, apoiados por contratos de receita de longo prazo indexados à inflação, adicionam um fluxo de caixa estável e anticíclico que casa com o perfil de capex intensivo do saneamento. Esse colchão de previsibilidade reforça a virada operacional e a aceleração de investimentos reportadas no 2T25, criando uma combinação de eficiência, diversificação de receitas e resiliência que tende a suavizar impactos climáticos e tarifários, além de fortalecer a capacidade de financiamento do ciclo de obras críticas.

Próximos passos incluem a tramitação de aprovações regulatórias e concorrenciais e a conferência com investidores já anunciada. A companhia indicou que manterá o mercado atualizado sobre os marcos de consumação e a captura de sinergias entre segurança hídrica e geração elétrica, elementos centrais desta tese de integração.

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