A Motiva (MOTV3) reportou no 3T25 lucro líquido ajustado de R$ 683 mi (+22% a/a), receita líquida ajustada de R$ 3,957 bi (+4,6%) e EBITDA ajustado de R$ 2,547 bi (+16,3%), com margem de 64,4% — um ganho de 6,5 p.p. frente ao 3T24. O avanço foi sustentado por reajustes tarifários em rodovias de SP e na Motiva Pantanal, crescimento de 17,2% nas receitas complementares e, em Trilhos, pelo efeito não recorrente de R$ 894 mi na Receita de Ativo Financeiro associado à assinatura do Termo Aditivo nº 10 da ViaQuatro, que prorrogou a Linha 4 por 20 anos e previu R$ 3,9 bi em investimentos. Esse aditivo também ajuda a explicar a extensão contratual mencionada e a redução do saldo do ativo financeiro após a antecipação de R$ 483 mi ligados ao reequilíbrio da COVID, reforçando a estratégia de transformar pleitos em ativos contratuais com retorno balizado.

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No eixo rodoviário, a combinação de tarifas reajustadas e reequilíbrios — como os R$ 63 mi na SPVias (TAM 22/2025) e o ressarcimento anual de veículos isentos na RioSP — sustentou o EBITDA de R$ 1,979 bi (+22,1%), enquanto volumes comparáveis avançaram em Rodovias (+1,1%), Trilhos (+2,3%) e Aeroportos (+5,8%). O capex somou R$ 2,334 bi, com foco em AutoBAn, RioSP, ViaSul e ViaMobilidade Linhas 8 e 9, e a própria administração destacou PRVias e Rota Sorocabana como vetores de aumento de EBITDA e queda de custo caixa. Esse ciclo de obras dialoga diretamente com a abertura da 19ª emissão de debêntures com alocação da série incentivada em PRVias e Rota Sorocabana, que casa funding IPCA/Lei 12.431 a capex regulado, reduz descasamentos e dá previsibilidade ao ramp‑up das novas concessões.

Em eficiência e estrutura de capital, o indicador Opex (caixa)/Receita Líquida Ajustada LTM ficou em 38,3%, enquanto a alavancagem encerrou em 3,6x (‑0,1x vs 2T25, +0,5x a/a). Com recordes históricos de Receita Líquida e EBITDA ajustado, a Motiva aproveitou o Capital Markets Day para atualizar a Ambição 2035, elevando a meta mínima do Opex/Receita para 28% e sinalizando a antecipação da eficiência originalmente prevista para 2026 para “já neste ano”. Essa leitura consolida a virada operacional iniciada no Capital Markets Day 2025, que adiantou a Ambição 2035 e indicou OPEX/RL abaixo de 38% já em 2025, e mostra a ponte entre metas e entrega efetiva.

Estratégicamente, o 3T25 também reancora as projeções de longo prazo: a combinação de reequilíbrios regulatórios (SPVias, ViaQuatro), ramp‑up das novas concessões (PRVias e Rota Sorocabana) e liability management via debêntures dá tração a uma ambição mais exigente de eficiência. Diferentemente do cenário-base apresentado em setembro, quando a companhia projetava degrau de produtividade ao longo da década, a nova meta de 28% se antecipa e é amparada por contratos mais longos e receitas complementares em aceleração. Esse movimento dá continuidade ao guidance revisado em 25/09, com metas de OPEX/receita de menos de 30% em 2030 e 28% em 2035, e sugere que a combinação de extensão de prazos, recomposição de equilíbrio e funding casado vem encurtando o caminho entre a ambição e a prática, com impacto direto na visibilidade de caixa e na sustentabilidade do crescimento do EBITDA.

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