Na quinta-feira, 25 de setembro de 2025, a Motiva (MOTV3) revisou suas projeções de 2025: atualizou a meta do ratio OPEX (caixa)/receita líquida para menos de 30% em 2030 e menos de 28% em 2035, manteve o guidance de CAGR do EBITDA ajustado entre 8,0% e 10,0% (2025–2035) e reiterou o plano de reciclagem de capital de R$ 5 bilhões a R$ 10 bilhões, voltado a desinvestimentos para reduzir a exposição a aeroportos. A companhia também detalhou a trajetória recente que ancora o guidance: CAGR observado do EBITDA de 7,6% (2021), 8,6% (2022), 9,5% (2023) e 9,2% (2024), além do OPEX/receita de 42,6% (2022), 40,3% (2023) e 41,2% (2024). As projeções refletem expectativas sujeitas a riscos e poderão ser revistas. A manutenção do intervalo de crescimento dialoga com a execução recente e a mudança de mix capturada no resultado do 2T25, que mostrou avanço de receita e EBITDA e reconfiguração do portfólio (encerramento da ViaOeste e início de Sorocabana e PRVias), reforçando a consistência operacional que sustenta o horizonte 2025–2035.
Do lado de eficiência, mirar um OPEX (caixa)/receita abaixo de 30% já em 2030 pressupõe alavancas que combinam padronização operacional, renegociação regulatória e contratos mais longos para diluir custos fixos. Essa engenharia vem sendo construída especialmente em Trilhos, onde a transformação de pleitos técnicos em ativos contratuais reduz volatilidade de caixa e preserva margens ao longo do ciclo. Exemplo dessa direção é a prorrogação antecipada da Linha 4 (ViaQuatro), com extensão a Taboão da Serra e TIR explicitada, que torna o reequilíbrio mensurável no tempo e alinha cronograma de investimentos a um fluxo de receitas mais previsível. Ao casar horizonte contratual com execução, a Motiva reforça a base para cumprir metas de eficiência, ao mesmo tempo em que limita a dependência de ciclos de demanda, mantendo a disciplina de capital e a capacidade de financiamento interno.
Por fim, a decisão de manter o programa de reciclagem de capital (R$ 5–10 bilhões até 2035), com foco em reduzir a exposição a aeroportos, aponta para um reenquadramento do portfólio em ativos de fluxo mais estável e retornos regulados. A lógica é ancorar geração de caixa em concessões com horizonte estendido, enquanto desinvestimentos seletivos destravam recursos para novas oportunidades com melhor retorno ajustado ao risco. Essa linha foi ilustrada pelo avanço em rodovias e o alongamento de contratos, como a renovação por 29 anos da BR-163/MS, que amplia previsibilidade de receitas em um corredor-chave e reforça a tese de previsibilidade que suporta o guidance de longo prazo. Em conjunto, metas e alavancas mantêm a coerência estratégica: eficiência operacional, contratos mais previsíveis e disciplina na alocação de capital, com a ressalva — feita pela própria companhia — de que projeções podem ser revistas se as premissas mudarem e de que permanecerão válidas até a efetiva concretização.







