No Capital Markets Day de 25/09, a Motiva atualizou a Ambição 2035: adiantou para 2025 a possibilidade de OPEX (caixa)/Receita líquida abaixo de 38%, reportou EBITDA Ajustado LTM de R$ 9,3 bi (+7% a/a) e apresentou avanços de governança e rating (AAA), TSR e duration do portfólio (~18 anos). O anúncio consolida a coerência do plano de longo prazo ao amarrar metas de eficiência, crescimento seletivo e disciplina de capital ao horizonte 2030–2035 já detalhado no guidance revisado da Ambição, com OPEX/receita abaixo de 30% em 2030 e de 28% em 2035, e manutenção do CAGR de EBITDA em 8–10%.
Sob o pilar de crescimento rentável e seletivo, a companhia reforçou a tese de ativos premium e sinergias no footprint atual (Sorocabana e PRVias), enquanto acelera receitas complementares (CAGR de 17% no 1S25 vs 1S23). Essa direção dá continuidade à reconfiguração do portfólio capturada na rotina operacional — com a integração das novas concessões e a saída de Barcas — evidenciada na leitura de agosto que mostrou a transição do mix com início de Sorocabana e PRVias e estabilidade nos eixos logísticos. O encadeamento entre M&A disciplinado, ganhos de produtividade e monetização de receitas não tarifárias sustenta a ambição de manter crescimento robusto de EBITDA com retorno ajustado ao risco.
No pilar de portfólio otimizado, a Motiva relatou desmobilizações seletivas (Barcas, SAMM, TAS e Quicko) e a captura de valor via renegociação regulatória (14 reequilíbrios e aditivos de ~R$ 4 bi desde 2023). Em Trilhos, a estratégia de transformar pleitos técnicos em ativos contratuais com retorno balizado ganhou tração com a prorrogação antecipada da Linha 4 (ViaQuatro), com TIR explicitada e extensão a Taboão da Serra, aumentando a previsibilidade de caixa e diluindo pressões de capex ao longo do contrato. Ao alongar horizontes e explicitar métricas de retorno, a companhia reduz volatilidade e sustenta a trajetória de eficiência.
Na estrutura de capital, a empresa alongou a duration da dívida para 5,6 anos, reduziu 23% a dívida líquida da holding, executou liability management (~R$ 560 mi em VPL) e emitiu a maior debênture de infraestrutura do país (RioSP, R$ 9,4 bi), com queda de 1,1 p.p. no spread. Essa engenharia financeira conversa com o alongamento de concessões essenciais em rodovias, como a renovação por 29 anos da BR‑163/MS, que ancora geração de caixa de múltiplas décadas e dá suporte a rating elevado, payout-alvo de 50% e um programa de reciclagem de capital de R$ 5–10 bi.
No eixo de eficiência, a combinação de digitalização e automação, assertividade de capex (R$ 7,3 bi em 2024, 94% de execução física) e redução de headcount embasa a antecipação da trajetória para OPEX/RL abaixo de 38% já em 2025 e cria ponte para as metas de 2030 e 2035. Em sustentabilidade, a energia 100% renovável antecipada para 2024, a queda de 55% nas emissões (escopos 1 e 2) e o foco em segurança com TFCA em queda reforçam a ambição de neutralidade com VPL positivo. O rebranding, apresentado como catalisador da transformação, unifica a arquitetura de marcas e reforça cultura e governança para o mandato 2024–2026, mantendo a coerência entre estratégia, contratos e execução operacional.







