Nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2025, a Motiva (MOTV3) aprovou a 19ª emissão de debêntures, somando R$ 1,8 bilhão em duas séries, com vencimentos de 7 e 12 anos. A 1ª série, atrelada a 100% da DI + 0,47% a.a., reforça caixa. A 2ª série seguirá a TIR do Tesouro IPCA+ 2035 acrescida exponencialmente de -0,88% a.a., nos termos da Lei 12.431, destinada a projetos definidos na escritura (inclusive reembolso de despesas dos últimos 36 meses). A oferta será pública, sob CVM 160, com garantia firme e conclusão condicionada a condições de mercado favoráveis.

Continua após o anúncio

Estratégicamente, a emissão combina custo competitivo e alongamento do passivo com fontes indexadas a DI e IPCA, reforçando liquidez no curto prazo e lastreando capex elegível no horizonte mais longo. Esse desenho espelha o playbook recente de engenharia financeira — diversificação de indexadores, alongamento de duration e captura de spread em mercados de dívida — que a companhia apresentou ao mercado no Capital Markets Day 2025, que detalhou duration de 5,6 anos, rating AAA e a maior debênture de infraestrutura (RioSP).

O direcionamento dos recursos da 2ª série pela Lei 12.431 sugere casamento entre funding em IPCA e projetos com fluxos regulados e reajustados por inflação, reduzindo descasamentos e preservando margens ao longo do ciclo. Ao mesmo tempo, a 1ª série provê oxigênio de caixa para a execução enquanto reembolsos e liberações regulatórias avançam, diminuindo pressão de curto prazo sobre a holding e subsidiárias operacionais. Esse enquadramento financeiro conversa diretamente com o pipeline contratual de mobilidade urbana e reequilíbrios que alongam horizonte de caixa e tornam os retornos mais previsíveis, como o Termo Aditivo nº 10 da Linha 4, com extensão a Taboão e investimento de R$ 3,9 bi e prorrogação por 20 anos, que materializa capex relevante sob parâmetros claros de remuneração.

Para o investidor, a nova emissão também sustenta o ciclo 2025–2035 ao reduzir custo de capital médio, suavizar a curva de vencimentos e ancorar a execução em projetos de risco regulatório controlado. Em paralelo, a alocação disciplinada segue coerente com a ambição de eficiência e reciclagem: liquidez reforçada facilita desinvestimentos oportunísticos, realoca capital para ativos com retorno ajustado ao risco superior e dá resiliência ao guidance de crescimento de EBITDA no longo prazo. Essa coerência entre funding, contratos e disciplina de portfólio já havia sido explicitada na guidance revisada em 25/09, com metas de OPEX/receita e programa de reciclagem de R$ 5–10 bi, e a emissão atual é mais um passo para capturar esses objetivos com menor volatilidade de fluxo de caixa.

Publicidade
Tags:
MotivaMOTV3