Este 2T25 marca um capítulo de consolidação na virada operacional da Sabesp: lucro líquido de R$ 2.136 milhões (LPA de R$ 3,12), acima do 2T24 (R$ 1,77/ação), com EBITDA de R$ 3.890 milhões (vs. R$ 3.006 milhões) e EBIT de R$ 3.346 milhões (vs. R$ 2.217 milhões). O resultado refletiu repasse tarifário, eliminação de descontos a grandes clientes, maior consumo, 161 mil novas ligações e ganhos de eficiência. O OPEX caiu R$ 476 milhões (-19%), com G&A -R$ 399 milhões e pessoal -R$ 77 milhões (quadro -11%). Os investimentos somaram R$ 3,6 bilhões no trimestre (R$ 6,452 bilhões no 1S25), em linha com os marcos operacionais expressivos registrados no primeiro ano pós-privatização.

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Na dinâmica de receita, a companhia reportou R$ 5.635 milhões em receita líquida ajustada de serviços considerando FAUSP (vs. R$ 5.476 milhões no 2T24), com contribuição de preço (+5%), volume (+4%), mix (-3%) e FAUSP (-4%). O reconhecimento de reajustes e a menor amortização após o novo contrato de concessão conectam-se ao arcabouço regulatório que sustenta a estratégia: o plano de mais de R$ 60 bilhões até 2029 e o novo modelo regulatório com RAB retroativa e atualizações tarifárias anuais. Essa arquitetura dá previsibilidade e permite capturar 100% de ganhos de eficiência no primeiro ciclo, ajudando a explicar a combinação de margens mais altas e despesas menores neste trimestre.

O movimento dá continuidade à jornada de eficiência destacada pela gestão: a queda do OPEX, a força de trabalho mais enxuta, menores repasses a fundos municipais e redução de provisões judiciais compõem uma trajetória que tende a ser reforçada por projetos tecnológicos. O foco em eficiência também se traduz em iniciativas estruturantes: a digitalização da medição e o combate a perdas devem reforçar a base de receitas e reduzir custos operacionais nos próximos ciclos. O passo mais visível foi a recente e estratégica assinatura do contrato de R$ 3,8 bilhões com a Telefônica para medição inteligente (NB‑IoT), peça central da vertente de eficiência (27% do capex) que se conecta ao avanço em novas ligações e à disciplina operacional evidenciada no 2T25. Em paralelo, a agenda de captações com debêntures e bonds sustenta o ritmo de investimentos e a trajetória de universalização.

Em síntese, os números confirmam a execução ágil prometida pela nova gestão: crescimento de lucro e EBITDA, compressão de despesas e aceleração de investimentos, ancorados por um modelo regulatório previsível e por iniciativas de tecnologia e financiamento. A teleconferência de 12 de agosto deve detalhar a evolução dessa agenda e os próximos marcos na universalização e na eficiência.

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