Nesta sexta-feira, 29 de agosto de 2025, a COPASA (CSMG3) informou que fundos geridos pela Perfin Infra e Perfin Equities passaram a deter 19.052.527 ações ordinárias, equivalentes a 5,01% do capital, além de derivativos que conferem exposição econômica a 19.456.100 ações (5,12%). No dia, foram adquiridas 230 mil ações (0,06% do capital). Os gestores declararam objetivo estritamente de investimento, sem intenção de alterar o controle ou a administração, e mencionaram apenas o Acordo de Investimento Conjunto e Governança da Estratégia Perfin Infra II entre certos fundos, sem outros acordos de voto ou compra e venda. Solicitaram a divulgação imediata das informações (art. 12, §6º, da Resolução CVM 44) e a atualização do formulário de referência em até sete dias úteis (Resolução CVM 80). O comunicado é assinado pelo CFO e DRI, Adriano Rudek de Moura.

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O movimento ocorre em um momento de atenção ao quadro societário da companhia. Em agosto, o Estado de Minas autorizou o BNDES a iniciar uma avaliação econômico-financeira para precificar a participação estatal, etapa que pode remodelar a estrutura acionária via transferência de ações à União. Embora a Perfin declare objetivo estritamente de investimento e ausência de acordos de voto, a construção de uma posição relevante em meio a potenciais eventos societários costuma refletir busca por assimetria entre valor justo e preço de mercado, aumento de liquidez e expectativa de rerating regulatório. Para investidores, a presença de gestor especializado em infraestrutura tende a adicionar escrutínio à governança e ao ciclo de investimentos.

Paralelamente, a COPASA vem reforçando sua capacidade de financiamento no mercado de capitais, com a 21ª emissão de debêntures aprovada em julho, dando sequência a um ciclo de captações que sustenta projetos de longo prazo. Esse acesso recorrente a funding, combinado ao perfil de risco baixo e disciplina financeira, torna o case mais atraente a investidores institucionais, pois dilui riscos de execução e garante previsibilidade para expansão e eficiência. Em contextos de maior visibilidade societária, a profundidade do mercado de dívida é um pilar para sustentação do plano estratégico sem pressionar a estrutura de capital.

No eixo de crescimento, a companhia acionou uma mesa de conciliação no TCE-MG para ampliar concessões e incluir esgotamento sanitário, conectando-se diretamente às metas do Marco do Saneamento. Esse vetor aumenta mercado endereçável, melhora o mix de receitas e potencializa ganhos de escala nos municípios onde hoje a atuação é predominantemente em água. Para um investidor de longo prazo, a previsibilidade de receitas reguladas atreladas a bases de clientes crescentes e contratos mais completos é um driver que sustenta a tese mesmo diante de sazonalidades operacionais e variações climáticas na demanda.

Do lado dos fundamentos recentes, os resultados do 2T25 indicaram aceleração de investimentos e resiliência operacional, com avanço da base de clientes e manutenção de alavancagem controlada. Esses sinais ajudam a explicar o timing da entrada e o racional de exposição via ações e derivativos: posicionamento para capturar a combinação de melhora operacional, pipeline de expansão e eventual recomposição de percepção de valor à medida que o cenário societário evolui. Em suma, a participação da Perfin funciona como um capítulo que conecta eficiência financeira, agenda de crescimento e possível reorganização acionária.

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