Nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, a Sabesp (SBSP3) concluiu a aquisição de 11.009.550 ações ordinárias da EMAE, equivalentes a 74,9% do capital votante e 29,79% do capital total. O preço foi de R$ 62,00 por ação, ajustado pelo CDI a partir dos R$ 59,33 do FR de 05/10/2025, totalizando R$ 682.643.113,65 pagos à Vórtx, agente fiduciário dos debenturistas da Phoenix Água e Energia S.A. O valor não estará sujeito a ajustes pós‑fechamento. Em até 30 dias, a companhia protocolará na CVM o pedido de registro da OPA para as ON remanescentes, nos termos do art. 254‑A; não há intenção de cancelar o registro de companhia aberta da EMAE no próximo ano, nem definição sobre eventual reorganização societária. Este fechamento sucede o esclarecimento sobre a aprovação preliminar do CADE em dezembro/25 e referência ao FR de 05/10/2025, construindo a ponte entre preço, condições suspensivas e cronograma de comunicações.
Do ponto de vista de governança e rito regulatório, o desembolso à Vórtx e a ausência de ajustes indicam que as condições contratuais foram cumpridas e que a Sabesp avança para a OPA que equaliza o prêmio de controle entre minoritários. A decisão de manter o registro da EMAE, sem pressa de reorganização, preserva opcionalidade para capturar sinergias operacionais e calibrar o modelo elétrico sob gestão, enquanto se avaliam ganhos de flexibilidade entre bacias e impactos tarifários. Esse desenho também mitiga risco jurídico e dá previsibilidade à integração, ao mesmo tempo em que a empresa sinaliza disciplina de disclosure ao mercado. Esse desfecho operacional acontece após a negação do recurso da Phoenix e o trânsito em julgado no CADE, com anuência prévia da ANEEL, que pacificaram o rito concorrencial e setorial e destravaram o closing.
Estratégicamente, o controle da EMAE consolida a verticalização água–energia: ao internalizar geração e contratos, a Sabesp reduz a volatilidade do custo de bombeamento, amplia a segurança de suprimento e melhora a previsibilidade do OPEX regulatório — um pilar crítico para financiar um ciclo intensivo de capex até 2029. A OPA prevista é mais um passo de governança dessa trajetória, mas o sentido econômico já estava explícito no roteiro pós‑privatização: migrar ao mercado livre, casar PPAs firmes com o cronograma de obras e integrar operação hídrica‑energética. Essa linha foi detalhada na apresentação institucional de dezembro/25, que explicitou a verticalização água–energia, a integração com a EMAE e a migração ao mercado livre, amarrando eficiência, previsibilidade e universalização.
Além do racional econômico, o fechamento fortalece a coerência ESG da tese. Um portfólio elétrico mais limpo e previsível reduz emissões do Escopo 2, amplia a resiliência a choques de preço e dá lastro a metas auditáveis de descarbonização — atributos cada vez mais valorizados em mercados de dívida e ações. A integração com a EMAE se soma aos PPAs de autoprodução já firmados e à governança de dados que a companhia vem implementando, sinalizando continuidade na curva de transparência e gestão de riscos climáticos. Essa trajetória foi reconhecida pela elevação da nota no CDP Clima e a estratégia de autoprodução renovável, reforçando o nexo entre energia, estabilidade de métricas e capacidade de execução do plano 2026–2029.







