Nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, a Motiva divulgou os dados consolidados de tráfego de dezembro de 2025 e do acumulado do ano. Em base comparável, as rodovias cresceram 5,4% em dez/25 ante dez/24 (2,4% no ano), os trilhos 2,8% (2,1% no ano) e os aeroportos 7,8% (6,1% no ano). Em rodovias, destacaram-se RioSP (+15,3%), impulsionada pelo início do free flow na Região Metropolitana de São Paulo em 06/12, AutoBAn (+4,5%) e SPVias (+6,1%), com ajustes pontuais como ViaCosteira (-0,5%). A base comparável exclui ViaOeste (fim em 29/03/25), bem como Sorocabana e PRVias, cujas operações iniciaram em 30/03/25 e 28/06/25. Em trilhos, Barcas teve a operação encerrada em 11/02/25. Nos aeroportos, a companhia reforçou que reporta por passageiros totais desde o 1T25.

Continua após o anúncio

O desempenho de dezembro fecha o ano confirmando a virada operacional que a companhia vinha apontando: ramp-up do free flow, recomposição de base e tração nos corredores paulistas. O salto em RioSP, mesmo desconsiderando o efeito do free flow (9,5% a/a), sinaliza elasticidade de demanda com menor atrito de cobrança e melhor nível de serviço, enquanto SPVias, RodoAnel Oeste e Renovias mantêm ritmo positivo. Ao mesmo tempo, a leitura por critério comparável – necessária após o término da ViaOeste e a entrada de Sorocabana e PRVias – ajuda a isolar a execução operacional subjacente. Nos aeroportos, a métrica por passageiros totais dá continuidade à padronização iniciada no primeiro trimestre, permitindo comparar volumes com maior fidelidade. Essa linha de continuidade ecoa a tração operacional de novembro/25 e migração para free flow na Raposo Tavares.

A adoção acelerada do free flow não é apenas tecnologia de pista; exige um back office robusto de identificação, cobrança, conciliação e gestão de inadimplência, além de interoperabilidade entre concessionárias, tema solicitado pelos reguladores. Ao entrar dezembro com pórticos operando em trechos relevantes de São Paulo e a Sorocabana já migrada desde outubro, a Motiva passa da fase de implantação física para a de captura de eficiência, redução de perdas e previsibilidade de arrecadação. Esse movimento ganha escala com a governança compartilhada da PedagioDigital, que padroniza meios de pagamento e antifraude e cria base para ampliar a elasticidade de tráfego e estabilizar o caixa nos contratos de longo prazo — vetor formalizado no fechamento da parceria com a EcoRodovias para a plataforma de free flow via Inovap (50%/50%).

Do lado financeiro, a resiliência de volumes de 2025 se soma a uma disciplina de capital que casa investimentos elegíveis com passivos de longo prazo no perímetro das concessões. Esse arranjo preserva a liquidez da holding e acelera a conversão de eficiência operacional em fluxo contratual, algo particularmente relevante para sustentar pórticos, sensores e sistemas de clearing em corredores de alto fluxo. Exemplo dessa estratégia é a 1ª emissão de debêntures da Motiva Pantanal de R$ 1,4 bi, que ilustra como a companhia estrutura funding dedicado para obras e digitalização. Em conjunto, execução operacional, interoperabilidade e funding casado compõem um playbook que tende a reduzir a volatilidade, aumentar a previsibilidade de caixa e sustentar decisões de investimento em ativos regulados.

Publicidade
Tags:
MotivaMOTV3