A Motiva reportou tração operacional em novembro/25 no critério comparável: rodovias +2,7% a/a (85.567 mil vs. 83.315 mil veículos equivalentes), trilhos +0,9% (63.108 mil passageiros) e aeroportos +5,1% (3.983 mil passageiros). No acumulado jan–nov/25, rodovias avançam +2,1% e trilhos +2,0%, enquanto aeroportos somam +6,0%. Entre as rodovias, destacaram-se AutoBAn (+4,3%), RioSP (+6,2%), SPVias (+5,4%), Rodoanel Oeste (+2,2%) e Renovias (+3,2%), com recuos pontuais em ViaSul, ViaCosteira, ViaLagos, Pantanal e ViaRio. A base comparável reflete o fim da ViaOeste (29/03), a entrada da Rota Sorocabana (30/03, com free flow a partir de 01/10) e o início da PRVias (28/06). Essa recomposição operacional dá sequência à migração para free flow na Raposo Tavares em 01/10, que reduz atrito de cobrança e tende a sustentar elasticidade de tráfego conforme o ramp-up avança.
O desempenho de novembro aparece como primeiro teste da agenda de digitalização e interoperabilidade que a companhia vem estruturando para alavancar o free flow nas praças recém-integradas. A leitura é consistente com a priorização de investimentos elegíveis e com o casamento de funding de longo prazo às obras e sistemas de pátio, sensores e back office. Ao padronizar processos de clearing entre operadores e aprimorar a experiência do usuário, a Motiva cria base para capturar ganhos de eficiência e reduzir perdas de arrecadação num portfólio que ficou mais concentrado em SP após a reconfiguração. Essa lógica foi explicitada no acordo com a EcoRodovias para a plataforma free flow da Inovap, que tende a transformar o avanço físico em previsibilidade de caixa, integrando tecnologia, cobrança e governança de dados.
Em paralelo ao eixo tecnológico, o pilar regulatório segue fortalecendo a visibilidade de resultados. As altas em AutoBAn, SPVias e Rodoanel dialogam com contratos que vêm sendo recompostos por aditivos, amortecendo volatilidade de fluxo e casando prazos, tarifas e obras. Essa frente ganhou tração com o reconhecimento pela ARTESP dos desequilíbrios de COVID em AutoBAn, SPVias, Renovias e Rodoanel, etapa que costuma anteceder aditivos com extensão de prazo e intervenções elegíveis. Com pleitos formalizados e horizonte contratual alongado, a companhia sustenta margens mesmo em concessões com sazonalidade negativa no mês, preserva a disciplina de capital e mantém a capacidade de executar obras de capacidade e segurança que, por sua vez, retroalimentam o crescimento de volumes ao reduzir gargalos e melhorar nível de serviço.
Nos aeroportos, novembro mostrou avanço amplo — Aeris (+5,2%), Curaçao (+8,9%), Bloco Sul (+9,1%), Bloco Central (+9,2%) e Quito (+6,0%) — com ajuste pontual em BH Airport (-1,5%), ainda sob a métrica de passageiros totais introduzida em 1T25. Esses números sustentam a qualidade operacional do perímetro em um momento de simplificação do portfólio. A companhia já anunciou a venda da Plataforma Aeroportos para a ASUR, movimento que reduz alavancagem, concentra foco em rodovias e trilhos e deve, após o fechamento, retirar esses volumes do perímetro consolidado. Até lá, a manutenção do ritmo operacional preserva o poder de barganha e a coerência estratégica: reciclar capital em múltiplos consistentes e realocar recursos para ativos regulados com retorno mais previsível.







