Em 2 de janeiro de 2026, a São Carlos Empreendimentos e Participações (SCAR3) comunicou a destituição de Carlos Mauro Galli Montenegro do cargo de Diretor Estatutário sem designação específica e a eleição de Leandro Moura Gavião para a mesma posição, com início imediato. Montenegro havia sido eleito em 31/12/2021, com mandato até 01/01/2027. O comunicado, assinado por Gustavo Machado Mascarenhas (Diretor Presidente e de RI), foi feito nos termos do art. 157, §4º, da Lei 6.404/76 e da Instrução CVM 358/02, e registrou agradecimento pelos serviços prestados.

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Mais do que uma troca pontual, a decisão funciona como ajuste de governança que dá continuidade às prioridades definidas pela administração no 3T25 — melhora operacional dos ativos, vendas de imóveis e implementação de estruturas de atuação no mercado imobiliário. Ao alinhar o quadro estatutário às frentes de execução, a São Carlos preserva o foco em eficiência, disciplina de alocação de capital e expansão de receitas de serviços, reduzindo a dependência do “brick”. Movimentos dessa natureza costumam calibrar competências ao estágio do ciclo: menos investimento intensivo e mais gestão ativa, liquidez e simplificação do portfólio, com ênfase na previsibilidade de caixa.

Essa direção ficou evidente na venda de 8 imóveis por R$ 837,2 mi com estrutura via FII SC JiveMauá e manutenção como consultora, que monetizou parte relevante do portfólio, aceitando desconto tático sobre o NAV em troca de liquidez e receitas recorrentes de fees. A permanência como consultora eleva a importância de um Conselho sintonizado com veículos estruturados, AUM crescente e gestão de riscos, cenário em que ajustes estatutários ajudam a destravar decisões e a encadear a execução do asset light com governança sólida e visão de longo prazo.

No varejo de rua, a empresa vinha simplificando o perímetro por meio de alienações seletivas e foco em conveniência, reduzindo complexidade operacional e concentrando esforços em ativos de maior recorrência. Esse redesenho pede direção estatutária capaz de sustentar a poda de portfólio, calibrar capex e liberar caixa para prioridades corporativas. Nesse contexto, a conclusão do ciclo de desinvestimento em lojas de rua da Best Center consolidou a rotação rumo a um portfólio mais enxuto e aderente. Ao encerrar esse capítulo com vendas em linha com NAV e acima do custo de aquisição, a São Carlos reforçou disciplina de capital, mitigação de riscos e foco na eficiência, criando base para decisões consistentes no nível do Conselho.

Por fim, a renovação estatutária também dialoga com a agenda de retorno ao acionista, evidenciada pela distribuição de dividendos extraordinários aprovada em 27/11/2025 (yield de 29%). Diferentemente de ajustes reativos, o conjunto de medidas — rotação de portfólio, estruturas via FIIs e devolução de capital — compõe uma narrativa única: governação afinada com alocação disciplinada, execução do modelo asset light e previsibilidade de geração de caixa. A troca de diretor, portanto, não inaugura uma estratégia, mas consolida a trajetória que a companhia vem implementando desde 2025.

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São Carlos Empreendimentos e ParticipaçõesSCAR3