Nesta quarta-feira, 24/12/2025, a COPASA (CSMG3) comunicou ter recebido, às 21h46 de 23/12, carta da Perfin Infra e da Perfin Equities informando a aquisição de 8.838.731 ações ON e a realização de empréstimos, como doadores, de 8.872.449 ações. Com isso, os Fundos Perfin passaram a deter, em conjunto, incluindo as ações emprestadas, 46.825.922 ON (12,31% do capital) e mantêm exposição econômica adicional equivalente a 5.478.505 ON (1,44%). Segundo as gestoras, houve liquidação de parte dos derivativos de liquidação financeira; não há outros valores mobiliários ou derivativos além dos mencionados. O objetivo declarado é estritamente de investimento, sem intenção de alterar controle ou administração. Os fundos solicitaram divulgação imediata (Res. CVM 44) e a atualização do Formulário de Referência (Res. CVM 80) em até 7 dias úteis.
O movimento reforça a trajetória de construção de posição iniciada ao longo de dezembro: após a liquidação parcial de derivativos e aumento para 9,61% informados em 10/12, a Perfin reportava exposição econômica equivalente a 3,75% e, incluindo ações emprestadas, 9,61% do capital. Agora, o avanço para 12,31%, combinado à redução da exposição via derivativos para 1,44%, sugere gestão ativa de instrumentos (compra à vista, empréstimo como doador e liquidação de derivativos) para preservar optionalidade e liquidez, mantendo a mensagem de investimento não ativista, sem acordos de voto, e de estrito cumprimento dos prazos de disclosure previstos pela regulação. Em termos de mercado, é uma estratégia típica de acompanhar marcos societários e regulatórios maximizando flexibilidade de alocação, sem buscar ingerência na gestão.
Estrategicamente, a intensificação da presença de um investidor especializado casa com o trilho institucional que a Copasa vem consolidando para eventuais decisões societárias e de capital. A redução de incerteza política e a organização do processo avançaram com a aprovação do PL 4.380/2025 na ALMG para promover a desestatização, o que elevou o escrutínio sobre governança e ajudou a atrair fluxos event‑driven mantendo espaço para condução técnica pela companhia. Em paralelo, a padronização de prazos e metas com municípios — incluindo o avanço com a capital mineira para estender vigências e ancorar metas — fortalece previsibilidade de receitas e de cronogramas de investimento, cenário no qual investidores institucionais tendem a escalar posições direcionais reforçadas por gestão tática de empréstimos de ações.
Do lado regulatório-operacional, a visibilidade de receita para 2026–2029 também melhorou, com a Arsae‑MG concluindo o processo e estabelecendo parâmetros que dão previsibilidade a reajustes e ao reconhecimento de eficiência. Esse pano de fundo reduz ruído para projeções de caixa e reprecificação de risco. O resultado da 3ª Revisão Tarifária (ETM de 6,56% para 2026) ancorou expectativas de fluxo, reparametrizando custos eficientes, base de ativos e indicadores de qualidade. Essa combinação de horizonte societário mais claro e estabilidade regulatória tende a sustentar a tese de investidores como a Perfin: aumentar a participação em ações, reduzir gradualmente a dependência de derivativos e usar o empréstimo de papéis para otimizar a exposição, enquanto a Copasa executa o ciclo de investimentos e consolida contratos de longo prazo.







