Na quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, a Motiva (MOTV3) foi declarada vencedora do Processo Competitivo nº 04/2025 da ANTT para adquirir 100% da Autopista Fernão Dias S.A., concessionária da BR‑381/MG/SP. A proposta trouxe o maior desconto permitido no edital (17,05% na tarifa básica) e observou as condições de pagamento. A conclusão do negócio — com transferência de controle, assinatura do SPA e do Termo Aditivo de modernização — depende do cumprimento das condições do edital. Com o aditivo, o prazo da concessão será estendido por 15 anos, sob parâmetros pactuados com o TCU (Acórdão Plenário nº 1369/2025). Estratégicamente, a entrada em Minas Gerais adiciona escala ao corredor Sudeste e reforça a alocação disciplinada de capital em ativos regulados.

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Este movimento consolida a estratégia de simplificação do portfólio e de realocação de recursos para rodovias e trilhos. A capacidade de competir com desconto relevante no pedágio e de assumir um programa de modernização decorre, em grande parte, do desalavancamento e da liquidez obtidos com a venda da Plataforma Aeroportos para a ASUR, que reduziu risco, comprimiu custo de capital e deixou a companhia mais leve para crescer em concessões de retorno regulado. O encadeamento é claro: reciclar ativos menos aderentes, reforçar balanço e direcionar capital para ativos premium em geografias estratégicas.

No vetor geográfico-operacional, a aquisição da BR‑381/MG/SP corrige a concentração recente em São Paulo e amplia a abrangência da plataforma. Em novembro, a companhia reportou tração em rodovias no critério comparável e destacou que o portfólio havia ficado mais concentrado em SP após a reconfiguração do ano, além de avançar na migração ao free flow em corredores paulistas. Assim, a entrada em Minas Gerais adiciona diversificação e cria oportunidade de difundir padrões de eficiência e tecnologia para um eixo de alto fluxo, mantendo a coerência do playbook de escala e padronização operacional descrito na tração operacional de novembro/25 e recomposição do portfólio com foco em SP e free flow.

No eixo regulatório, a tese se apoia na capacidade de transformar pleitos em ativos contratuais com prazo e obras elegíveis — lógica que tende a ser replicada no Termo Aditivo da Fernão Dias. Nos últimos meses, a companhia acumulou precedentes de recomposição e extensão contratual, elevando previsibilidade de caixa e casando investimentos com horizonte de retorno. Esse padrão ficou evidente com o reconhecimento dos desequilíbrios de COVID em AutoBAn, SPVias, Renovias e Rodoanel, etapa que costuma anteceder aditivos com extensão de prazo e intervenções, e que reforça a leitura de que acordos bem estruturados reduzem volatilidade e sustentam margens ao longo do ciclo.

O que monitorar a seguir: prazos e condicionantes para a transferência de controle, a modelagem do Termo Aditivo de modernização (escopo, cronograma e CAPEX elegível), eventuais sinergias operacionais e tecnológicas aplicáveis ao corredor MG/SP e o impacto no perfil de alavancagem e geração de caixa. Se a execução seguir o padrão recente de disciplina regulatória e padronização operacional, a Fernão Dias tende a se tornar mais um vetor de escala, eficiência e previsibilidade dentro da estratégia de longo prazo da Motiva.

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