Nesta terça-feira, 18/11/2025, a Motiva (MOTV3) anunciou a venda de 100% da sua Plataforma Aeroportos para a ASUR por R$ 5,0 bilhões em equity value, o que implica enterprise value de R$ 11,5 bilhões e múltiplo de 8,8x EV/EBITDA (LTM). O material indica dívida líquida consolidada pós‑transação de R$ 23,223 milhões e alavancagem inferior a 3,0x (vs. 3,5x no 3T25), após deduzir R$ 5,0 bi de equity e R$ 5,490 mi de dívida líquida dos aeroportos. A plataforma reúne 20 aeroportos na América Latina (17 no Brasil), com 47 milhões de passageiros/ano. A companhia lista como racional destravamento de valor, simplificação do portfólio (de 4 jurisdições para 1 e de 37 ativos para 17), flexibilidade estratégica e redução do custo de capital em ~60 bps, sujeita a aprovações regulatórias. Este movimento consolida a rota de desinvestimento anunciada e cronologicamente amadurecida desde o Fato Relevante de 05/11 sobre tratativas finais para monetizar os aeroportos.

O fechamento com a ASUR coroa um processo competitivo iniciado em fevereiro de 2025 (20 NDAs, 11 NBOs, 4 finalistas) e precedido por uma preparação financeira que blindou os ativos e reduziu riscos de execução. Ao organizar a dívida e reforçar contas de reserva no perímetro aeroportuário, a Motiva elevou a previsibilidade de caixa e melhorou a simetria informacional na diligência, condição que costuma sustentar valuation em processos de M&A de infraestrutura de ciclo longo. Essa etapa foi pavimentada pela emissão de bonds na Quiport em 30/10, que reforçou o ring‑fencing dos aeroportos, criando opcionalidade para vender em bases econômicas mais favoráveis e, se necessário, manter performance estável até o closing.

Do ponto de vista financeiro, a transação acelera a otimização da estrutura de capital ao reduzir a alavancagem consolidada e simplificar o mapa de riscos. A precificação a 8,8x EV/EBITDA (LTM) materializa o valor operacional dos hubs (Bloco Sul, Central, BH Airport, Quito, Curaçao e afins) e dialoga com a entrega recente de volumes e margens. Diferentemente de um movimento defensivo, o desinvestimento ocorre com liquidez e performance em alta, como se observou no resultado do 3T25, com recordes de Receita e EBITDA e alavancagem de 3,6x, o que reforça que a venda atende à estratégia de reciclagem e foco em ativos regulados de maior retorno ajustado ao risco.

Estratégicamente, a realocação de capital tende a privilegiar rodovias e trilhos, em que a companhia já vinha casando funding de longo prazo com capex regulado e ramp‑up operacional. Nesse sentido, a venda da Plataforma Aeroportos encaixa‑se no encadeamento que ancorou PRVias e Rota Sorocabana com dívida incentivada e horizonte contratual alongado, reduzindo descasamentos e fortalecendo a previsibilidade de caixa. O movimento dá continuidade direta à abertura da 19ª emissão de debêntures com destinação em PRVias e Rota Sorocabana, fechando um ciclo lógico: preparar financeiramente os aeroportos, maximizar o poder de barganha, monetizar em múltiplos consistentes e redirecionar recursos para projetos regulados com retorno mais visível, comprimindo custo de capital e elevando a qualidade do portfólio remanescente.

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