Nesta segunda-feira, 8 de dezembro de 2025, o Itaú Unibanco informou que celebrou instrumentos contratuais para adquirir as participações de Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) e Grupo Casas Bahia (GCB) na Financeira Itaú CBD (FIC) no fechamento da transação e, no segundo aniversário desse fechamento, a participação detida indiretamente por Sendas Distribuidora (Assaí). Em paralelo, o Itaú Unibanco S.A. se comprometeu a comprar, na mesma data de fechamento, a totalidade da participação detida indiretamente pelo GCB no Banco Investcred, passando a deter indiretamente 100% do capital do Investcred. Segundo a companhia, uma vez concretizadas, as operações não acarretarão impactos relevantes nos resultados. As operações estão sujeitas a condições suspensivas usuais, incluindo aprovações do CADE e do Banco Central, e, até o fechamento, o atendimento e o uso dos cartões pelos clientes seguirão normalmente.

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Estrategicamente, a compra recompõe o controle integral sobre dois veículos de financiamento de varejistas parceiros (FIC e Investcred), reduz fricções de governança e concentra dados, funding e risco em um único framework, típico do playbook de cartões e crediário do Itaú. O movimento dá continuidade à agenda de simplificação societária e disciplina de alocação, materializada nos proventos robustos e no cancelamento de ações em tesouraria anunciados em dezembro, que reforçaram a prioridade de eficiência regulatória e retorno ao acionista. A estrutura em duas etapas na FIC — com o Assaí permanecendo minoritário por até dois anos — preserva acordos comerciais e dilui riscos de transição, ao mesmo tempo em que prepara a captura futura de sinergias operacionais e de funding sob controle único.

Do ponto de vista de capital e regulação, a consolidação de JVs financeiras tende a ter efeito limitado em capital regulatório no curto prazo e pode até simplificar o acompanhamento de risco e o consumo de RWA, sem alterar a capacidade de crescimento orgânico. Essa leitura é consistente com a solvência reportada recentemente e com a folga de liquidez que sustenta a continuidade do payout, mesmo em um ciclo de crédito ainda exigente, além de oferecer conforto às aprovações de CADE e BACEN. Nesse sentido, a fotografia de setembro, com Basileia de 16,4% e Patrimônio de Referência de R$ 238,4 bilhões no Pilar 3 do 3T25, sugere espaço para movimentos táticos como este sem pressionar o balanço.

Por fim, a sinalização de impacto não relevante nos resultados está em linha com a execução recente, que combinou crescimento da carteira com ROE elevado sem necessidade de revisões de guidance. A integração tende a capturar ganhos de eficiência e cross-sell de forma gradual, com neutralidade contábil no curto prazo e opcionalidade para expansão do ecossistema de cartões e crediário. Essa coerência aparece na manutenção de metas e na rentabilidade reportada, como a manutenção do guidance de 2025 e o ROE recorrente de 23,3% no 3T25, o que sustenta a leitura de que a operação é estratégica e evolutiva, mais do que financeira, reforçando a narrativa de consolidação e simplificação sob controle do Itaú.

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