Nesta terça-feira, 25 de novembro de 2025, a Sanepar aprovou o Plano de Equacionamento do déficit técnico do FusanPrev (data-base 31/12/2024). O montante total a equacionar é de R$ 83,7 milhões, dos quais R$ 41,2 milhões cabem à Companhia, a serem quitados entre abril de 2026 e fevereiro de 2038, por meio de parcelas mensais estimadas em cerca de R$ 288 mil, acrescidas de juros atuariais e atualização pelo INPC/IBGE. Em conformidade com a LC 109/2001 e a Resolução CNPC 30/2018, o déficit é rateado entre patrocinadora, participantes e assistidos, e o início do equacionamento deve ocorrer até abril de 2026. A Sanepar destacou que já constituiu provisão contábil referente ao FusanPrev no encerramento de 2024, o que mitiga impactos e confere previsibilidade ao desembolso futuro.
Na prática, o anúncio consolida uma agenda de governança e prudência que marcou 2025. Os números do ano evidenciaram disciplina contábil e capacidade de geração de caixa mesmo com pressões transitórias. Esse pano de fundo já aparecia no resultado do 3T25, com salto de provisões e caixa robusto, quando margens foram comprimidas por despesas não recorrentes, mas a alavancagem permaneceu baixa e a performance acumulada seguiu sólida. Transformar um passivo atuarial em um cronograma de pagamentos de longo prazo reforça a previsibilidade, suaviza o impacto sobre a liquidez corrente e facilita o planejamento de dividendos, CAPEX e covenants, sobretudo porque o fluxo financeiro começa apenas em 2026 e se dilui até 2038, permitindo calibrar desembolsos sem comprometer a execução das prioridades estratégicas.
Outro elo dessa coerência é a busca por estabilidade regulatória para tomar decisões de horizonte longo, como as previdenciárias. Em 2025, o regulador adotou postura de análise técnica e de evitar medidas irreversíveis em temas sensíveis, o que reduz volatilidade e melhora a qualidade do planejamento financeiro. Esse movimento ficou claro na cautelar da Agepar sobre o compartilhamento de créditos fiscais, que congelou a aplicação prática da regra até decisão de mérito e preservou a previsibilidade do fluxo tarifário. Ao alinhar modicidade e sustentabilidade econômico-financeira, o ambiente regulatório contribui para que a Sanepar acomode o equacionamento do FusanPrev no orçamento plurianual com menor risco de choques, mantendo coerência entre provisões, tarifa e investimentos.
No front operacional e de investimentos, a decisão de diluir desembolsos previdenciários no tempo converge com a escolha por modelos contratuais que aliviam balanço e ampliam previsibilidade. Ao priorizar contratos de longo prazo com alocação de riscos calibrada e pagamentos escalonados, a companhia preserva espaço para a expansão sem elevar desnecessariamente a alavancagem. Essa abordagem é visível na modelagem do SAINP com locação de ativos precedida de obras, que permite escalonar entregas, adequar garantias e compatibilizar CAPEX com fluxos regulatórios e obrigações de longo prazo como o FusanPrev. Em conjunto, o cronograma previdenciário indexado ao INPC e o pipeline contratual mais leve favorecem a manutenção de modicidade tarifária e a disciplina financeira, mesmo em cenários de maior incerteza climática e jurídica.
Por fim, a estratégia de crescimento seletivo com parceiros adiciona alternativas para diluir riscos de execução e financiamento sem pressionar o balanço. O memorando com a Acciona para disputar novas concessões e PPPs dialoga com a lógica de preservar liquidez, usar estruturas contratuais mais eficientes e capturar oportunidades em que o retorno compense o capital comprometido. Com o equacionamento do FusanPrev já reconhecido contabilmente e com início de pagamentos apenas em 2026, a Sanepar ganha previsibilidade para modular dividendos e investimentos, mantendo o foco em esgoto, resiliência financeira e governança. Em síntese, o plano transforma um passivo atuarial em trajetória claro e administrável, reforçando a continuidade de uma tese de expansão com responsabilidade.







