A Sanepar reportou no 3T25 lucro líquido de R$ 246 milhões (-34,7% a/a), receita de R$ 1,804 bilhão (+5,5%) e EBITDA de R$ 556 milhões (-26,8%), com compressão de margens para 30,8% (EBITDA) e 13,7% (líquida). O contraste com o 3T24 decorre, sobretudo, da escalada de custos e despesas (+31,2%), puxada por serviços de terceiros e pelo salto nas provisões judiciais e regulatórias, que saíram de reversão no ano anterior para R$ 167 milhões. Mesmo assim, o acumulado até setembro de 2025 segue robusto: lucro de R$ 1,718 bilhão (+51,7%), EBITDA de R$ 2,208 bilhões (+1,4%) e forte geração de caixa operacional (R$ 6,406 bilhões), com alavancagem baixa (Dívida Líquida/EBITDA de 0,5x) e investimentos de R$ 1,864 bilhão no ano, 58% direcionados a esgoto.

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Esse descompasso trimestral entre crescimento de receita e pressão de custos se insere num ciclo em que a previsibilidade regulatória é determinante para o planejamento de provisões, CAPEX e política financeira. A manutenção de caixa reforçada em 2025 ocorreu em paralelo à cautelar da Agepar sobre o compartilhamento de ganhos fiscais do precatório de IRPJ, que suspendeu, até decisão de mérito, a regra de partilha desses créditos no manual tarifário. Ao evitar decisões irreversíveis, o rito regulatório preserva o equilíbrio econômico-financeiro e explica parte da prudência nas provisões do trimestre, ao mesmo tempo em que sustenta a coerência do fluxo de caixa observado no acumulado do ano. A conquista do Troféu Transparência 2025 também dialoga com essa agenda de governança e previsibilidade, importante para atravessar períodos de maior litigiosidade e volatilidade climática — tema sensível diante do decreto de emergência hídrica válido por 180 dias a partir de 19/11/2025, que pode pressionar custos operacionais adiante.

No front de investimentos, o foco majoritário em esgoto (58% do CAPEX no trimestre) e a disciplina de caixa indicam continuidade de uma estratégia de expansão com modelos contratuais mais leves em balanço. Esse desenho ganhou corpo na consulta pública do SAINP, que estruturou a locação de ativos precedida de obras, permitindo escalonar entregas, calibrar riscos e dar tração ao cronograma sem elevar a alavancagem. A combinação de covenants folgados, geração de caixa extraordinária em 2025 e um pipeline priorizado explica por que, apesar da compressão de margem no 3T25 por provisões e serviços, a companhia mantém fôlego para sustentar o ciclo de expansão com modicidade tarifária e resiliência financeira.

Do ponto de vista competitivo, a Sanepar vem construindo capacidade para disputar certames e estruturar parcerias em novos mercados, reforçando engenharia, financiamento e operação. Esse movimento é consistente com o memorando com a Acciona para disputar novas concessões e PPPs, que amplia alternativas de execução enquanto preserva o balanço. Em conjunto, os números do 3T25 funcionam como um capítulo de transição: margens pressionadas por itens não recorrentes e maior prudência regulatória no curto prazo, mas continuidade de uma tese de expansão ancorada em esgoto, contratos de longo prazo e estrutura de capital conservadora — elementos que podem mitigar impactos da emergência hídrica e sustentar o crescimento no ciclo seguinte.

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