A Copasa informou que entidades do grupo Goldman Sachs construíram, em 15 de setembro de 2025, uma posição agregada equivalente a 5,04% do capital por meio de derivativos com liquidação física, combinada a posições em empréstimo de ações e exposição financeira de balcão. O detalhamento aponta posição à vista negativa, posição tomadora em empréstimo de ações e compra de derivativos de liquidação física, além de swaps financeiros. Segundo a correspondência, trata-se de investimento minoritário, sem intenção de influenciar o controle ou a administração e sem acordos de voto, em linha com as exigências de divulgação do art. 12 da Resolução CVM 44.
O comunicado acontece em um momento de maior atenção ao quadro societário da Copasa. Há poucas semanas, a base acionária já havia registrado a entrada da Perfin com 5,01% do capital e exposição adicional via derivativos, igualmente declarada como investimento sem intenção de alterar o controle. Em conjunto, os dois movimentos sugerem um ambiente de aumento de participação de investidores institucionais especializados, atraídos por um case com drivers regulatórios claros, liquidez crescente e política de capital previsível. A própria comunicação detalhando posições tomadoras de empréstimo de ações e derivativos com liquidação física reforça a sofisticação das estratégias usadas para construir ou proteger exposição sem alterar o controle.
Outro ponto relevante é o timing: as operações ocorreram a poucos dias do calendário de proventos. Em 11 de setembro, a companhia aprovou o JCP de R$ 169,7 milhões referente ao 3T25, com data de corte em 22/09 e ações ex a partir de 23/09. Em períodos assim, é comum ver maior uso de empréstimo de ações, posições vendidas e estruturas de derivativos para fins de hedge, arbitragem de dividendos e gestão de caixa, sem mudança de intenção societária. Isso ajuda a explicar a combinação de posição à vista negativa com derivativos de liquidação física comprados e exposição financeira de balcão reportada pelas entidades do grupo Goldman, alinhada à declaração de investimento minoritário e sem acordo de voto.
No pano de fundo estratégico, a previsibilidade de caixa e de remuneração de ativos para 2026–2029 tende a aumentar o interesse de players financeiros por exposição tática ou direcional ao papel. A 3ª Revisão Tarifária com ETM preliminar de 5,50% para o ciclo 2026–2029 desloca o foco do curto prazo para a calibração de custos eficientes, base de ativos e metas de qualidade, oferecendo visibilidade que pode sustentar teses com derivativos e posições relativas. Esse reposicionamento regulatório dialoga com a agenda societária em curso em Minas Gerais, que inclui potenciais mudanças na estrutura acionária. Em agosto, foi iniciada a avaliação econômico-financeira pelo BNDES sobre a participação do Estado na companhia, um vetor que costuma atrair fluxo event-driven e elevar a exigência de disclosure sobre movimentações relevantes, como a agora comunicada.







