Trevisa Investimentos S.A. é uma companhia com longa trajetória empresarial no Brasil, cuja origem remonta a 1930, quando foi fundada a Luchsinger Madörin & Cia Ltda., pioneira no ramo de fertilizantes no país. Ao longo das décadas, a empresa passou por diversas reestruturações societárias e mudanças de denominação, refletindo a evolução de seu portfólio de negócios. Em 1963, a Luchsinger Madörin & Cia Ltda. assumiu o papel de controladora, transferindo as operações industriais para a Indústria Luchsinger Madörin Ltda. (ILM). Em 1978, com a criação do Grupo Trevo, a então Luchsinger Madörin Participações S.A. – já configurada como holding – iniciou um movimento de diversificação, incluindo a aquisição da Navegação Aliança Ltda., inicialmente voltada ao transporte de fertilizantes entre Rio Grande e Porto Alegre.
A empresa obteve registro na Comissão de Valores Mobiliários em 1980, passando a ter suas ações negociadas em bolsa de valores, hoje na B3, sob os tickers LUXM3 e LUXM4. Em 1984, adotou a denominação Luxma-Luchsinger Becker Participações S.A., consolidando o chamado Grupo Luxma, e em 1991 teve seu controle assumido por famílias acionistas reunidas em acordo que vigorou até 2000. Em 1992, o nome foi alterado para Trevo Investimentos S.A., dando origem ao Grupo Trevo, e em 2000 passou à atual denominação Trevisa Investimentos S.A., deixando de usar a marca de grupo. Nesse mesmo ano, a companhia vendeu sua então relevante operação de fertilizantes, a Adubos Trevo, para a norueguesa Norsk Hydro (atual Yara Fertilizantes), redirecionando seu foco para navegação interior e reflorestamento, por meio das controladas Navegação Aliança Ltda. e Florestamento Treflor Ltda. Posteriormente, em 2019, a Treflor vendeu seus ativos florestais e descontinuou as atividades, reforçando ainda mais a centralidade da navegação no modelo de negócios.
Atualmente, a Trevisa Investimentos se caracteriza como uma holding operacional com negócios concentrados principalmente em transporte aquaviário de cargas por navegação interior, atividade exercida pela controlada Navegação Aliança Ltda., e em menor escala em locação de salas comerciais em seu edifício-sede em Porto Alegre (RS). A performance da companhia listada na B3 é fortemente influenciada pelo resultado de sua controlada de navegação, via equivalência patrimonial, e pela receita de aluguel do imóvel corporativo de 9.745 m², localizado em área nobre da capital gaúcha. A partir de 30 de abril de 2025, o grupo ampliou sua atuação no segmento marítimo e fluvial com a aquisição, pela Navegação Aliança, da totalidade das quotas da Rio Grande Marítima Ltda. e do Estaleiro Santos Serviços Navais Ltda., ambas em Rio Grande (RS), adicionando serviços de apoio portuário e manutenção de embarcações de pequeno porte ao escopo de atividades.
O núcleo operacional do negócio está na Navegação Aliança Ltda., que atua no transporte de cargas por hidrovia entre terminais dos portos de Rio Grande, Pelotas, Guaíba, Nova Santa Rita, Canoas e Porto Alegre, com operações predominantemente em terminais privados. A empresa opera uma frota própria composta por 14 embarcações autopropulsadas, 3 empurradores e 7 barcaças, além de uma barcaça sem propulsão afretada, totalizando capacidade estática de 71 mil toneladas, com embarcações variando entre 1,5 mil e 5,5 mil toneladas de capacidade. As rotas cobrem trajetos como Rio Grande/Porto Alegre, Pelotas/Nova Santa Rita, Pelotas/Guaíba e Guaíba/Rio Grande, com foco em cargas sólidas, incluindo celulose, fertilizantes, soja (grãos e farelo), trigo, clínquer, carvão mineral e toras de madeira, além de cargas eventuais como sal, cevada e arroz. Todas as embarcações contam com sistemas de navegação por satélite e equipamentos de segurança voltados a maior eficiência e segurança operacional.
A movimentação anual de cargas da Navegação Aliança é relevante dentro da Bacia do Sul, com volumes superiores a 3,9 milhões de toneladas nos últimos exercícios: 4.084.785 toneladas em 2022, 4.049.163 toneladas em 2023 e 3.918.339 toneladas em 2024. A companhia atende cadeias produtivas ligadas a exportações e à indústria gaúcha, como celulose, grãos e insumos industriais. A celulose passou a ser transportada a partir de 2013, principalmente no sentido Guaíba/Rio Grande, enquanto o transporte de toras de madeira de Pelotas para Guaíba foi incorporado em 2016. O carvão mineral é transportado desde 2010 de Charqueadas para o polo petroquímico de Triunfo, e o clínquer passou a integrar a carteira de cargas em 2013, em rotas entre Pelotas e Nova Santa Rita. No agronegócio, a empresa transporta fertilizantes para os principais fabricantes do Rio Grande do Sul, beneficiando-se de demanda relativamente estável por se tratar de insumo essencial para a agricultura, além de soja em grãos e farelo, produto em que a hidrovia representa uma vantagem logística para escoamento à exportação.
Além do transporte de cargas, a Trevisa Investimentos mantém atividade imobiliária por meio da locação de salas em seu edifício-sede em Porto Alegre, gerando receita recorrente de aluguel. A partir de 2025, o grupo também passou a prestar serviços de apoio portuário em Rio Grande, por meio da Rio Grande Marítima Ltda., atendendo armadores de navegação interior, agentes marítimos e terminais portuários, e a oferecer serviços de reparo e manutenção para embarcações de pequeno porte por intermédio do Estaleiro Santos Serviços Navais Ltda. Esses novos negócios complementam a operação de navegação, ampliando o escopo de serviços na cadeia logística aquaviária. Em termos de base de clientes, o FRE informa que algumas relações representam mais de 10% da receita líquida de 2024, destacando, entre outros, a própria Trevisa Investimentos S.A. como cliente da Villela Brasil Consultoria em Gestão Empresarial e, na Navegação Aliança Ltda., a CMPC Celulose Riograndense Ltda., além da Associação Educadora São Carlos – AESC.
A atuação da Trevisa é concentrada no mercado brasileiro, sem receitas de clientes no exterior. Todas as receitas da companhia e de sua principal controlada são atribuídas a clientes no país, o que reduz sua exposição direta a regulações estrangeiras e a riscos de câmbio. Geograficamente, sua operação é focada no estado do Rio Grande do Sul, especialmente ao longo da hidrovia que conecta o porto de Rio Grande a municípios como Pelotas, Guaíba, Nova Santa Rita, Canoas e Porto Alegre, e em rotas específicas até Estrela, Taquari, Cachoeira do Sul, Charqueadas e o polo petroquímico de Triunfo. Nesse contexto regional, a Navegação Aliança enfrenta concorrência de empresas como Navegação Guarita, Navegação Taquara, Navegação Petrosul, Navegação Laçador e Navegação Gaúcha, o que configura um ambiente competitivo entre operadores de navegação interior na Bacia do Sul.
Por operar em navegação interior e serviços portuários, a Trevisa Investimentos e suas controladas estão sujeitas a um arcabouço regulatório amplo. A atividade da Navegação Aliança é regulamentada pela Superintendência do Porto de Rio Grande, transformada em 2022 na empresa pública Portos RS. A outorga que habilita a empresa a atuar como empresa brasileira de navegação interior, prestando serviços de transporte longitudinal de carga dentro do território gaúcho, foi concedida pela Resolução nº 002 SPH, de 5 de dezembro de 2006, por prazo indeterminado, autorizando o transporte de carga geral, granéis sólidos, granéis líquidos e óleos vegetais. Para operar, a controlada necessita de licenças e autorizações de diversos órgãos, como Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), Polícia Federal, Marinha do Brasil, Ministério da Defesa, Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Portos RS e ANVISA. A Rio Grande Marítima também depende de autorizações de Marinha, ANTAQ, Portos RS e ANVISA, enquanto o Estaleiro Santos Serviços Navais requer licenciamento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Rio Grande.
Na dimensão ambiental, social e de governança (ASG), a Trevisa Investimentos declara seguir a legislação aplicável em meio ambiente e segurança do trabalho, e sua controlada Navegação Aliança mantém contrato de consultoria especializada para orientação em melhores práticas ambientais. A companhia publicou Relatório de Sustentabilidade 2024, elaborado com apoio técnico externo e referenciado ao padrão Global Reporting Initiative (GRI), disponível em seu site. O documento considera uma matriz de materialidade com temas como qualidade dos serviços, gestão de fornecedores, saúde e segurança, riscos operacionais e socioambientais, tratamento de efluentes, gestão de resíduos, mudanças climáticas e transição energética. O relatório também incorpora os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com destaque para saúde e bem-estar, energia limpa e acessível, trabalho decente e crescimento econômico, ação climática e vida na água. A empresa realiza inventário de emissões de gases de efeito estufa nos escopos 1, 2 e 3, divulgando a totalização dessas emissões no Relatório de Sustentabilidade, ainda que o documento não siga as recomendações da TCFD para divulgações financeiras relacionadas ao clima.
Para o investidor que analisa as ações LUXM3 e LUXM4 na B3, Trevisa Investimentos se apresenta, portanto, como uma holding com negócios ancorados na navegação interior de cargas na Bacia do Sul, complementados por exploração imobiliária de um edifício corporativo em Porto Alegre e, mais recentemente, por serviços de apoio portuário e manutenção naval em Rio Grande. A geração de valor para o acionista está significativamente ligada ao desempenho operacional e à capacidade da Navegação Aliança em atender cadeias logísticas de celulose, fertilizantes, grãos, insumos industriais e outras cargas sólidas ao longo da hidrovia gaúcha, em um ambiente regulado e com demandas crescentes por práticas ambientais e de governança estruturadas.