A Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro – CEG, de ticker CEGR3 na B3, foi criada em 1969 por meio do decreto-lei nº 29, originalmente como Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro, com a atribuição de operar os serviços de gás canalizado na cidade do Rio de Janeiro. A reconfiguração político-administrativa do estado em 1975 levou à edição do decreto-lei nº 39, que ampliou tanto o objeto social quanto a área de atuação da empresa para toda a região metropolitana. Em 1990, com a Lei Complementar Estadual nº 64, a CEG consolidou sua atuação como distribuidora de gás nos municípios que integram a Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, reforçando seu papel como concessionária de serviço público essencial. Em 1996, a companhia foi incluída no Programa Estadual de Desestatização, e em 1997 ocorreu a alienação de 65,41% de seu capital social em leilão realizado na antiga Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, marcando a transição para controle privado e a assinatura do contrato de concessão de distribuição de gás canalizado por 30 anos, renovável por igual período. Também em 1997 a empresa obteve registro como companhia aberta junto à CVM, passando a ter suas ações negociadas no mercado de capitais brasileiro.
A estrutura societária e a denominação social foram atualizadas em 1998, quando a razão social passou a ser formalmente COMPANHIA DISTRIBUIDORA DE GÁS DO RIO DE JANEIRO – CEG. Desde então, a companhia concentrou esforços na expansão de sua base de clientes, na extensão da rede de distribuição e na transição tecnológica da matriz de abastecimento, em especial na conversão do antigo gás manufaturado para gás natural em toda a cidade do Rio de Janeiro, processo concluído em meados de 2007. Na condição de concessionária de serviço público estadual, a CEG opera dentro de um contrato de concessão firmado com o Estado do Rio de Janeiro, que estabelece direitos, deveres, metas de expansão e padrões de qualidade para a prestação do serviço de distribuição de gás canalizado. A natureza regulada do negócio e o desenho contratual conferem à companhia um perfil de receitas associado a longo prazo e dependente de marcos regulatórios definidos na esfera estadual.
O modelo de negócio da CEG é centrado na distribuição de gás natural canalizado na região metropolitana do Rio de Janeiro, com exclusividade na área de concessão. A companhia explora, de forma exclusiva, a distribuição de gás canalizado, gás natural comprimido (GNC) e gás natural liquefeito (GNL) e seus subprodutos, podendo ainda produzir, importar, comercializar e distribuir produtos relacionados à sua atividade principal, bem como produtos gasodomésticos. A empresa atua em segmentos diversos de consumo, incluindo os mercados residencial, comercial, industrial, automotivo (GNV) e de geração termelétrica, além de prestar serviços associados à infraestrutura de gás, como manutenção, estudos, pesquisas e consultoria técnica. O gás natural constitui o principal insumo do negócio, e a companhia não possui controladas, mantendo foco operacional direto na concessão estadual.
Do ponto de vista da composição de receita, o fornecimento de gás natural responde pela quase totalidade da receita líquida da CEG, superando 90% ao longo dos últimos exercícios, enquanto o GLP representa participação residual e os serviços complementam a geração de receita com cerca de um dígito percentual. Em 2024, os segmentos de consumo com maior peso na receita líquida foram o automotivo, com aproximadamente 42,8% da receita, o residencial, com cerca de 22,2%, e o industrial, com 21,9%. O segmento comercial respondeu por parcela menor, mas relevante, da receita, enquanto os serviços ligados à rede de gás e atividades correlatas representaram pouco mais de 6% da receita líquida. A dispersão da base de clientes é elevada: no segmento residencial a companhia atende centenas de milhares de unidades consumidoras, e não há clientes individuais responsáveis por mais de 10% da receita líquida total; mesmo os maiores clientes industriais e comerciais, em conjunto, representam pouco mais de 8% da receita anual.
A área de concessão da CEG abrange a região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, incluindo municípios como Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti, Nilópolis, Mesquita, Magé, Itaboraí, Guapimirim, Queimados, Paracambi, Itaguaí, Seropédica e Tanguá. Alguns municípios, como Mangaratiba e Maricá, são supridos por sistemas de GNC, adequados a localidades sem rede de gasodutos convencional. A empresa atua exclusivamente em território nacional e não obtém receita de clientes situados no exterior, estando integralmente exposta à dinâmica econômica e regulatória brasileira. A posição de concessionária exclusiva na região metropolitana fluminense elimina concorrência direta na atividade de distribuição de gás canalizado, embora o gás natural enfrente competição indireta de outros energéticos, como GLP, energia elétrica, biomassa, diesel e óleo combustível, em aplicações específicas de seus segmentos de consumo.
Os mercados atendidos pela CEG apresentam características distintas em termos de perfil de consumo e participação na demanda de gás. No segmento residencial, o uso é predominantemente para aquecimento de água e cocção, com o gás natural competindo com a energia elétrica e o GLP como alternativas principais. No segmento comercial, a companhia abastece hospitais, hotéis, restaurantes, lavanderias e outros estabelecimentos de pequeno e médio porte, com aplicações semelhantes às residenciais, além de climatização e utilização em cozinhas industriais. No segmento automotivo, o gás natural veicular (GNV) é utilizado como combustível para táxis, veículos de aplicativos e, em expansão, para frotas de transporte urbano e caminhões de carga, beneficiando-se de regulamentação técnica do INMETRO e da adoção de veículos bicombustíveis pelas montadoras. A demanda industrial utiliza o gás principalmente para geração de calor em processos produtivos, com foco em segurança de fornecimento e menor nível de emissões em comparação a outros combustíveis fósseis. Já no segmento termelétrico, o gás é insumo para geração de energia elétrica em usinas térmicas despachadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), um mercado sujeito à sazonalidade hidrológica e às decisões de política energética nacional.
Sob o ponto de vista regulatório, a atuação da CEG é fortemente condicionada pela Constituição Federal, que atribui aos estados a exploração direta ou mediante concessão dos serviços de gás canalizado, e pela legislação estadual que rege o contrato de concessão com o Estado do Rio de Janeiro. A companhia é fiscalizada e regulada pela Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (AGENERSA), responsável pela definição, aprovação e revisão das tarifas de gás natural. As revisões tarifárias são realizadas em ciclos quinquenais, e as margens de distribuição são atualizadas anualmente pelo índice IGP-M. O modelo tarifário prevê o repasse integral do custo do gás ao consumidor final, o que reduz a exposição da CEG à volatilidade de preços do insumo. Para a execução de obras de construção, expansão e manutenção de rede em logradouros públicos, a empresa depende de autorizações de prefeituras municipais e, em casos de dutos que exigem licenciamento ambiental, de licenças emitidas por órgãos como o INEA e secretarias de meio ambiente, em âmbito estadual ou municipal.
Em termos de práticas ambientais, sociais e de governança, a CEG, integrada ao grupo Naturgy no Brasil, adota políticas estruturadas de sustentabilidade e gestão ambiental. A companhia possui certificação ISO 14001, refletindo a implantação de um sistema de gestão ambiental com foco em conformidade legal, controle de aspectos e impactos ambientais e melhoria contínua. Entre as ações recorrentes estão a manutenção de licenças de operação, a realização de inventário de gases de efeito estufa, o monitoramento de emissões de veículos a diesel, a análise de efluentes em instalações operacionais, a avaliação de ruídos em ativos de distribuição, a remediação de passivos ambientais históricos, auditorias ambientais legais anuais e a renovação de redes antigas de ferro fundido por tubulações de polietileno, com impactos na redução de emissões fugitivas. A empresa também mantém cadastros técnicos federais regulares no IBAMA para atividades potencialmente poluidoras.
Na dimensão de governança e transparência, a CEG divulga informe anual e relatório de responsabilidade corporativa, ambos auditados, com o relatório de sustentabilidade elaborado segundo as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI). Esses documentos incluem matriz de materialidade baseada em modelo de dupla materialidade e indicadores-chave de desempenho ambiental, social e de governança, alinhados aos temas materiais definidos para o negócio, como ética e compliance, gestão de pessoas, saúde e segurança, relacionamento com clientes e comunidade, diversidade e inclusão, gestão ambiental, mudança climática, transição energética e inovação tecnológica. A companhia declara alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com contribuição mais direta aos ODS relacionados à energia acessível e limpa, cidades sustentáveis e ação contra a mudança climática. A comunicação sobre temas ESG é intensificada por meio de campanhas internas e externas, canais de comunicação corporativa e conteúdos específicos em redes sociais, reforçando a integração de aspectos socioambientais à estratégia empresarial da distribuidora de gás natural.