A Natura Cosméticos (NATU3) informou que a Baillie Gifford Overseas Limited elevou sua participação para 68.779.590 ações ordinárias, equivalentes a 5,00% do total de 1.374.557.657 ações. Segundo a carta enviada em cumprimento ao art. 12 da Resolução CVM 44/2021, as compras ocorreram no curso regular do mercado secundário, com objetivo estritamente de investimento, sem intenção de alterar o controle ou a estrutura administrativa, nem de alcançar um percentual específico. O comunicado também registra poderes de voto exercidos pela gestora em nome de certos clientes, além da indicação de representantes legais no Brasil (J.P. Morgan e Citibank). O movimento reforça a leitura de base acionária com perfil de longo prazo e governança estável, preservada pela prorrogação do Acordo de Acionistas até 31/10/2025.
Nos últimos meses, a base acionária da companhia vem exibindo uma rotação predominantemente técnica, associada a devoluções de aluguel e ajustes entre posições à vista e derivativos, e não a tentativas de influência na administração. Esse pano de fundo reduz ruídos societários e mantém o foco na execução operacional, enquanto investidores de perfil global calibram exposição conforme os marcos estratégicos avançam. Nesse contexto, a nova posição de 5% da Baillie Gifford sinaliza confiança na tese de foco regional e eficiência, somando-se a episódios anteriores de recomposição técnica, como a ultrapassagem de 10,04% pela Dynamo em 4/9/2025.
À época, a própria gestora destacou caráter de investimento e ausência de acordos de voto, em linha com fluxos de recall de ações alugadas e uso de derivativos com liquidação física. Poucas semanas depois, o nível se normalizou, em movimento passivo atrelado ao vencimento de instrumentos, o que reforça o caráter financeiro dessas oscilações e a ausência de disputas de controle; trata-se da redução passiva da Dynamo para 8,84% em 22/09/2025.
Além da dinâmica técnica do free float, o interesse de um investidor institucional como a Baillie Gifford se conecta à execução da agenda estratégica que vem simplificando o perímetro e clarificando KPIs por geografia, com priorização da plataforma latino-americana e metas de expansão de margem. Esse vetor foi explicitado por marcos recentes, como o acordo vinculante para vender a Avon International à Regent, que reduz complexidade, preserva a marca Avon na Latam e favorece a disciplina de capital. Em conjunto, governança estável e estratégia focada ajudam a explicar a atração de capital de longo prazo, enquanto a companhia avança em integração, eficiência e transparência de reporte.







