A Natura (NATU3) informou que veículos sob gestão discricionária da Dynamo atingiram 10,04% do capital em 4 de setembro de 2025, totalizando 137.985.385 ações quando consideradas posições com derivativos referenciados em ON. Segundo a carta da gestora, o patamar decorre da devolução de ações doadas em aluguel. A posição combina 111.485.385 ações ordinárias com derivativos de liquidação física equivalentes a 26,5 milhões de ações, além de instrumentos que geram exposição econômica vendida de 21,5 milhões. A Dynamo declarou caráter estritamente de investimento, sem intenção de alterar controle ou estrutura administrativa, sem acordos de voto, e em linha com as exigências do art. 12 da Resolução CVM 44.
Este movimento ocorre poucos dias após a renovação de arranjos de governança que preservam a estabilidade decisória enquanto a companhia executa marcos operacionais e avalia alternativas estratégicas para ativos não core. O sinal é de continuidade: o bloco de controle estendeu o 6º aditamento ao Acordo de Acionistas, prorrogando a vigência até 31/10/2025, o que reduz ruídos durante a Onda 2 de integração, a transferência da fábrica de Interlagos para Cajamar e o processo de simplificação do portfólio. Nesse contexto, a ultrapassagem de 10% pela Dynamo, motivada por recall de aluguel, soa mais como ajuste técnico em um free float líquido do que como mudança de rumo na governança.
Diferentemente do observado no fim de agosto, quando outro investidor global diminuiu sua participação, o fato de hoje reflete recomposição de estoque de ações alugadas e uma carteira que combina posições à vista e derivativos com liquidação física, sem intenção de influência. A rotação na base acionária segue compatível com um período de virada operacional, e a ausência de acordos de voto mitiga riscos de disputa societária. Como referência dessa dinâmica de ajustes, a companhia já havia comunicado a redução de participação da BlackRock em agosto, sem implicações de controle, reforçando que os fluxos recentes são predominantemente financeiros.
Em pano de fundo, o interesse renovado de investidores acontece após a melhora dos fundamentos operacionais e a reafirmação de metas. No 2T-25, a empresa reverteu prejuízo, elevou margem e anunciou a continuidade da disciplina de custos, além de classificar a Avon International como mantida para venda — mensagem que ancora a tese de eficiência e desalavancagem. Esse vetor estratégico foi explicitado no guidance de expansão de margem e na reclassificação da Avon International como ativo à venda no 2T-25, enquanto a Onda 2 de integração avança em países-chave. Assim, a recomposição acionária atual se encaixa na narrativa de execução: governança estável, portfólio mais enxuto e base de investidores ajustando exposição conforme a captura de ganhos operacionais.







