Em resposta ao Ofício nº 198/2025/CVM/SEP/GEA-4, a Motiva (MOTV3) afirmou que a AGOE 2025, realizada em 23 de abril, seguiu a Resolução CVM nº 81/22 e práticas de boa governança. A assembleia foi exclusivamente digital, com participação por plataforma ou boletim de voto a distância, e a palavra franqueada a qualquer acionista a qualquer momento. O acionista Renato Chaves defendeu 9 assentos para o Conselho de Administração, mas prevaleceu a proposta de 11. Nas pautas seguintes, registrou abstenções até os itens de remuneração, quando votou favoravelmente à remuneração global da administração; para o Conselho Fiscal, foi contra a proposta da administração (10% da remuneração média dos diretores, nos termos do §3º do art. 162 da Lei das S.A.) e sugeriu 15%. A companhia refutou alegações de que propostas alternativas teriam sido ignoradas e reiterou que votos escritos após o encerramento contrariam o ambiente deliberativo, citando o art. 130 da Lei das S.A. Por fim, manteve-se à disposição da autarquia.
Na prática, a resposta busca blindar a validade das deliberações e reduzir risco regulatório em um ano marcado por reconfiguração do portfólio e execução operacional. Ao amarrar conformidade processual e transparência, a Motiva preserva a previsibilidade da sua agenda de investimentos e eficiência, coerente com o que transpareceu no resultado do 2T25, que mostrou avanço de receita e EBITDA e reconfiguração do portfólio (encerramento da ViaOeste e início de Sorocabana e PRVias). Assim, a clareza nas regras de assembleia e no registro de votos conecta-se à previsibilidade necessária para entregar capex e normalização no Sul, além de sustentar a comunicação com investidores em um ciclo de consolidação operacional. Ao responder no prazo do Ofício e explicitar o rito de declarações, a companhia delimita fronteiras entre participação e formalização, reduzindo a probabilidade de contestações futuras das decisões da AGOE 2025. Em termos de percepção de risco, isso tende a diminuir ruído societário e reforçar a confiança no processo decisório.
Esse cuidado com governança também conversa com a estratégia regulatória de alongar contratos, na qual a segurança societária é complementar à estabilidade de concessões. Exemplo disso é a renovação por 29 anos da BR-163/MS, que estende o horizonte de caixa de um corredor-chave do agronegócio e evidencia capacidade técnica e jurídica em interações com ANTT e TCU. A mesma disciplina que orienta assembleias e a relação com a CVM respalda decisões de alocação de capital e remuneração — temas sensíveis na AGOE — e ancora expectativas de retorno em contratos de múltiplas décadas, reduzindo volatilidade de fluxo e garantindo continuidade de investimentos ao longo do ciclo.
No vetor de pessoas e comitês, a previsibilidade decisória observada na AGOE dialoga com a sequência de sucessão em Trilhos. A renúncia do vice‑presidente responsável pela plataforma e a liderança interina por Miguel Setas ocorreram em terreno operacional favorável e sinalizaram continuidade da execução enquanto se buscava o perfil definitivo para a próxima fase. Essa transição preservou cadência e reforçou a ênfase em eficiência e reequilíbrios regulatórios, mitigando riscos de execução durante o processo de escolha e mantendo o foco em qualidade de serviço e disciplina de capital. Na sequência, a eleição de André Gustavo Salcedo para liderar a Plataforma de Trilhos consolidou o capítulo de sucessão com um perfil forte em regulação e finanças, alinhando colegiados, gestão executiva e estratégia de crescimento seletivo baseada em eficiência e previsibilidade contratual.







