A Motiva (MOTV3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 398 milhões no segundo trimestre de 2025, recuo de 3,2% ante os R$ 411 milhões do mesmo período do ano anterior. Apesar da queda no resultado final, a companhia apresentou crescimento na receita líquida ajustada consolidada, que avançou 2,2% para R$ 3,563 bilhões, impulsionada pelo melhor desempenho operacional em todas as plataformas.
O EBITDA ajustado consolidado da empresa cresceu 4,2% no trimestre, atingindo R$ 2,094 bilhões, com margem de 58,8% ante 57,6% no 2T24. O resultado reflete a melhoria operacional nos segmentos de rodovias, trilhos e aeroportos, com destaque para o crescimento de 20,5% no EBITDA de aeroportos e 12,8% em trilhos. No acumulado do primeiro semestre, o EBITDA ajustado saltou 9,2% para R$ 4,450 bilhões.
No segmento de rodovias, principal fonte de receitas da Motiva, o tráfego comparável de veículos equivalentes cresceu 3,4% no trimestre, beneficiado pela normalização da demanda no Rio Grande do Sul após os eventos climáticos de 2024. A receita de pedágio avançou 1,1%, enquanto os custos operacionais caíram 35,2%, refletindo a otimização da estrutura após mudanças contratuais e o encerramento da ViaOeste em março e a incorporação da Sorocabana e PRVias. A performance trimestral consolida a recuperação robusta observada em maio, quando a ViaSul registrou crescimento extraordinário de 80,7% no tráfego, evidenciando a normalização completa das operações gaúchas.
Em aeroportos, o modal apresentou forte crescimento de 10% no número de passageiros, com destaque para BH Airport (+12,4%) e os aeroportos internacionais. O segmento de trilhos registrou aumento de 0,5% na demanda comparável, com melhoria na margem EBITDA para 58% ante 51,6% no ano anterior. A companhia intensificou seus investimentos no período, aplicando R$ 1,779 bilhão (+9,3%), focados em duplicações rodoviárias, modernização de trilhos e melhorias aeroportuárias. Este volume de investimentos foi viabilizado pelas captações recentes de debêntures, incluindo a 16ª emissão da AutoBAn no valor de R$ 2,5 bilhões, demonstrando a estratégia de aproveitamento das condições favoráveis do mercado de capitais.
Entre os marcos regulatórios do trimestre, a Motiva venceu o processo competitivo da MSVia em maio e iniciou a arrecadação da PRVias em junho, consolidando sua posição em ativos estratégicos. Com índice de endividamento de 3,7 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses, a empresa mantém disciplina financeira enquanto executa seu plano de investimentos de longo prazo. Os investidores aguardam agora os impactos dos novos contratos nos próximos trimestres e a evolução da geração de caixa livre da companhia, especialmente considerando a recente extensão de 73 dias no prazo da SPVias até dezembro de 2029, que adiciona receita de pedágio ao portfólio através da resolução de questões regulatórias históricas.







