A Randon (RAPT3, RAPT4) comunicou o encerramento do período de preferência do aumento de capital em 19/08/2025 e a abertura da rodada de sobras. Foram subscritas 7.633.610 ON a R$ 7,14 e 3.134.559 PN a R$ 7,87, totalizando R$ 79,17 milhões, acima do mínimo estabelecido. Permanecem 15.509.885 sobras (1.692.801 ON e 13.817.084 PN) para subscrição de 26/08 a 03/09/2025 (na B3, até 02/09). O preço das sobras é o mesmo da preferência e os acionistas que já manifestaram interesse podem pedir Sobras Adicionais, sujeitas a rateio proporcional se houver excesso de demanda. A integralização é à vista, com homologação pelo Conselho após o término e crédito das novas ações até três dias úteis depois.
Este movimento dá continuidade à estratégia de fortalecimento da estrutura de capital desenhada para atravessar um ciclo mais desafiador, preservando liquidez e flexibilidade para execução da agenda operacional e internacional. Ao ampliar a base de capital próprio, a companhia reduz alavancagem futura relativa e equilibra o mix de financiamento com dívida de longo prazo, em linha com a emissão de debêntures de R$ 1,1 bilhão aprovada em junho, que alongou prazos e criou colchão de caixa para gestão de passivos.
Na mesma linha de diversificação de fontes, o grupo já havia avançado na frente societária com a controlada voltada ao powerhouse de reposição, pilar que sustenta resiliência de caixa e recorrência de receita. Ao articular instrumentos de dívida, equity na controlada e agora capital na holding, a Randon constrói um trilho financeiro coerente com o foco em reposição e expansão externa, mitigando volatilidade dos ciclos domésticos de montadoras e agronegócio. Essa etapa atual do aumento de capital conversa diretamente com a oferta pública da controlada Fras-le, precificada a R$ 24,00 por ação, que ampliou liquidez e trouxe novos investidores para o ecossistema do grupo.
No curto prazo, o reforço de capital também funciona como amortecedor para a normalização de margens, após trimestres de pressão no Brasil e realocação de mix. No 2T25, a companhia apontou a necessidade de reforço de caixa e prudência financeira em meio à desaceleração em pesados e agro, quando reportou prejuízo de R$ 34,9 milhões no 2T25 e plano de reforço de capital. Assim, a rodada de sobras atual não é um evento isolado, mas a sequência lógica de um plano de financiamento estruturado para estabilizar a trajetória de resultados enquanto a operação se reequilibra.
Do ponto de vista de planejamento anual, a calibragem do balanço dialoga com premissas mais realistas para 2025, focadas em preservar competitividade, selecionar investimentos e priorizar negócios de maior retorno. Ao mesmo tempo em que a receita mostrou resiliência mês a mês, a administração reduziu o otimismo das metas para refletir o ambiente macro e o mix de demanda. Nesse contexto, o avanço do aumento de capital reforça a execução disciplinada frente ao guidance revisado para 2025 (R$ 12,0–13,5 bi de receita e margem EBITDA de 12%–14%), criando folga para capturar eficiência operacional e sustentar a expansão internacional com menor risco financeiro.







