A Randon (RAPT3, RAPT4) registrou prejuízo líquido de R$ 34,9 milhões no segundo trimestre de 2025, revertendo o lucro de R$ 87,0 milhões obtido no mesmo período de 2024. A queda de 140,2% no resultado reflete principalmente a forte retração nas vendas para o agronegócio, impactadas pela alta taxa de juros e incertezas econômicas no país.
Apesar do cenário desafiador, a receita líquida consolidada cresceu 10,5%, atingindo R$ 3,3 bilhões, sustentada especialmente pela expansão no mercado internacional. As receitas externas saltaram 77,2% em dólares, impulsionadas pelas recentes aquisições de empresas no exterior, como Dacomsa, EBS e AXN, que adicionaram US$ 82,4 milhões no trimestre. O resultado contrasta com o crescimento robusto de 17,5% registrado no primeiro semestre, quando a companhia faturou R$ 6,49 bilhões e demonstrava momentum consistente em todos os meses.
O EBITDA ajustado ficou em R$ 364,4 milhões, queda de 15,5% ante os R$ 431,2 milhões do 2T24, com margem de 11,0% contra 14,4% no ano anterior. A pressão sobre a rentabilidade decorreu da menor diluição de custos fixos devido à redução de volumes, especialmente de semirreboques e autopeças para caminhões pesados, além de despesas de adequação estrutural que somaram R$ 41,2 milhões no período.
Para enfrentar o momento desafiador, a companhia anunciou captação de R$ 1,1 bilhão via 12ª emissão de debêntures, além do aumento de capital privado em andamento. A operação materializa a aprovação das debêntures realizada em junho para reforço de caixa e administração de risco financeiro, demonstrando a estratégia preventiva da empresa diante das incertezas macroeconômicas. A controlada Frasle Mobility também realizou follow-on de R$ 400 milhões em julho, concretizando a oferta pública precificada em R$ 24,00 por ação que fazia parte do plano estruturado de fortalecimento de capital do grupo.
A empresa retomou seu guidance anual, projetando receita líquida entre R$ 12,0 e R$ 13,5 bilhões para 2025, com margem EBITDA de 12% a 14%. As projeções confirmam o guidance revisado para baixo em setembro, quando a companhia já sinalizava um cenário mais desafiador ao reduzir a estimativa de receita de até R$ 14,5 bilhões para o atual teto de R$ 13,5 bilhões, refletindo maior realismo diante das pressões macroeconômicas que agora se materializam nos resultados trimestrais.







