A Randon (RAPT3, RAPT4) revisou para baixo seu guidance de 2025, reduzindo a projeção de receita líquida consolidada de R$ 13,0-14,5 bilhões para R$ 12,0-13,5 bilhões, uma redução de até R$ 1 bilhão no teto da estimativa. A margem EBITDA também foi cortada de 13-15% para 12-14%, refletindo um cenário mais desafiador para os negócios da companhia.
Esta é a segunda revisão do guidance em 2025, após comunicados anteriores em abril e junho. A empresa justifica os ajustes pelo cenário macroeconômico mais complexo, que impacta tanto o mercado doméstico quanto algumas operações internacionais.
A revisão contrasta significativamente com o momentum positivo observado no início do ano, quando a empresa registrou crescimento expressivo de 17,5% na receita do primeiro semestre, alcançando R$ 6,49 bilhões. O desempenho robusto dos primeiros meses, especialmente janeiro com alta de 47,3%, criava expectativas otimistas que agora se chocam com a realidade macroeconômica mais desafiadora do segundo semestre.
Entre os principais fatores que levaram à revisão estão a queda expressiva nas vendas de semirreboques ligados ao agronegócio, setor impactado negativamente pelos efeitos macroeconômicos apesar da expectativa de safra recorde. Além disso, os volumes de autopeças para montadoras foram reduzidos pela menor demanda de caminhões pesados e implementos rodoviários.
O cenário mais desafiador também afeta as vendas de peças de reposição para veículos pesados e leves, tanto no mercado interno quanto externo. Esta pressão no segmento ganha relevância especial considerando que a reposição se tornou o maior negócio da empresa, representando 46% da receita no primeiro trimestre, posicionada como a "powerhouse" estratégica para sustentabilidade dos resultados em cenários adversos. Para compensar parcialmente essas quedas, a empresa incluiu as receitas de novos negócios adquiridos recentemente, como EBS, Dacomsa, AXN, Delta e Suspensys Mogi Guaçu.
Como ponto positivo, a Randon elevou sua projeção para receitas do mercado externo de US$ 730-770 milhões para US$ 800-850 milhões, impulsionada pela ampliação das operações no exterior através das novas aquisições no México, Reino Unido e Estados Unidos. Os investimentos foram reduzidos de R$ 440-500 milhões para R$ 400-460 milhões, refletindo maior disciplina financeira diante dos desafios atuais.
A necessidade de ajustes no guidance também contextualiza as recentes movimentações de fortalecimento de capital da companhia, incluindo a emissão de debêntures de R$ 1,1 bilhão aprovada em junho para reforço de caixa e administração de risco financeiro. As medidas preventivas de estrutura de capital mostram-se estratégicas diante do cenário mais complexo que agora se materializa nas projeções revisadas.







