A Raízen abriu a safra 2025/26 com um 1º trimestre pressionado: prejuízo líquido de R$ 1,843,9 bilhão, receita de R$ 54,2 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 1,889,0 bilhão, afetados pela parada de manutenção da refinaria na Argentina, efeitos negativos de inventário e menor moagem em EAB. No detalhe, EAB entregou EBITDA de R$ 862 milhões, com -20,7% de cana moída, mas evolução comercial de +R$ 470 milhões; Distribuição Brasil manteve resiliência (R$ 1,006,5 bilhão; R$ 149/m³) apesar das perdas de estoque; e a operação argentina ficou em R$ 309,7 milhões, ainda impactada pela parada. Esses números refletem a transição para um “novo ciclo” anunciado pela gestão – com foco em simplificação, core business, eficiência e reforço de capital – e confirmam a dinâmica de menor diluição de custos e avanço tecnológico já observada na queda de 20,7% na moagem e avanço do E2G já destacados na prévia operacional do 1T25/26.

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No balanço, a alavancagem subiu para 4,5x EBITDA LTM, com dívida líquida de R$ 49,2 bilhões, enquanto a companhia alongou passivos ao substituir R$ 8,9 bilhões em convênios e adiantamentos por dívidas de longo prazo. A liquidez segue robusta (R$ 15,7 bilhões em caixa e R$ 5,5 bilhões em linhas comprometidas), e em julho houve novas captações de R$ 5,9 bilhões, incluindo títulos de 7 anos. Este movimento consolida a janela de funding aberta pela captação de US$ 750 milhões em bonds internacionais em junho, reforçando o pilar de fortalecimento da estrutura de capital enquanto a operação ajusta margens diante da volatilidade de inventários.

Em paralelo, o CAPEX do trimestre (R$ 1,704 bilhão) priorizou canaviais, continuidade do E2G (obras em Vale do Rosário e Gasa) e integridade da refinaria de Buenos Aires – alocação coerente com o foco no core e ganhos de eficiência. A agenda societária também avança na simplificação do portfólio e otimização de governance, dando continuidade ao redesenho iniciado com a cisão parcial de R$ 7,87 bilhões anunciada em junho. Esse eixo societário-financeiro, somado ao ajuste operacional, pavimenta as próximas fases do ciclo, incluindo a avaliação de uma potencial capitalização comunicada pela administração.

Estratégica e narrativamente, o trimestre funciona como ponte entre a normalização operacional pós-paradas e a consolidação do redesenho de capital: a conclusão do projeto de eficiência energética da refinaria de Buenos Aires ainda nesta safra e a disciplina em despesas (G&A -20%, ex-provisões) são sinais de execução. Diferentemente do mesmo trimestre do ano anterior, quando houve efeito pontual de crédito tributário, a fotografia atual enfatiza resiliência de margens na distribuição e ganho comercial em açúcar/etanol frente a restrições de moagem. Ao mesmo tempo, a busca por alongamento, liquidez e possível reforço de capital responde à necessidade de preservar o investment grade sob escrutínio após a perspectiva de rating rebaixada pela Fitch, elevando a importância de reduzir a alavancagem ao longo da safra.

Próximos passos: a videoconferência de 14/8 deverá detalhar a trajetória de alavancagem, o cronograma do E2G e o escopo da potencial capitalização, além de atualizar o andamento do projeto de eficiência energética na refinaria argentina. Para o investidor, o enredo que emerge é de continuidade disciplinada: capturar eficiência, priorizar projetos core, destravar valor via simplificação societária e sustentar a liquidez até a normalização plena da moagem e margens.

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