A Raízen (RAIZ4) anunciou na segunda-feira, 30 de junho de 2025, uma operação de cisão parcial envolvendo R$ 7,87 bilhões em ativos e passivos para sua subsidiária Raízen Energia (RESA). A proposta será submetida à aprovação dos acionistas em assembleia geral extraordinária marcada para 31 de julho de 2025, às 8h.
A operação representa mais um passo na ampla reestruturação societária e financeira iniciada pela companhia após registrar prejuízo histórico de R$ 4,177 bilhões na safra 2024/25, quando a dívida líquida saltou para R$ 34,264 bilhões e a alavancagem atingiu 3,2 vezes o EBITDA. A cisão tem como objetivo otimizar a estrutura de capital e gestão do grupo, concentrando as participações societárias em sociedades do exterior para ganhos de eficiência administrativa e financeira.
O protocolo de cisão estabelece a transferência de uma parcela patrimonial equilibrada da Raízen para a RESA, sem alteração no capital social de ambas as empresas. Como a Raízen já detém 100% das ações da RESA indiretamente, não haverá emissão de novas ações nem mudança na composição acionária para os investidores da RAIZ4. Esta estruturação alinha-se com a estratégia de desalavancagem que culminou na captação de US$ 750 milhões em bonds internacionais em junho, fortalecendo a posição de liquidez da companhia.
A administração da Raízen não identifica riscos relevantes na operação, além dos usuais para este tipo de transação. Os custos totais estimados para implementação da cisão somam aproximadamente R$ 422 mil, incluindo despesas com publicações, registros e honorários de avaliador - valores significativamente menores que outras medidas da reestruturação, como a venda da Usina de Leme por R$ 425 milhões realizada em maio como parte da reciclagem de ativos.
A reestruturação societária integra o plano mais amplo de otimização anunciado pela companhia, que inclui redução de 18% no CAPEX para 2025/26 e projeção de R$ 500 milhões em ganhos de eficiência operacional. A Raízen é controlada em conjunto pela Shell PLC e Cosan S.A., atuando na distribuição de combustíveis, produção de lubrificantes, refino de petróleo e no segmento de etanol, açúcar e bioenergia. Investidores devem acompanhar a deliberação da assembleia para entender os próximos passos da reestruturação societária.







