A Raízen (RAIZ4) teve sua perspectiva de rating global rebaixada pela agência Fitch de estável para negativa, embora a nota de crédito BBB tenha sido reafirmada. A mudança sinaliza possível deterioração futura da qualidade creditícia da maior empresa de biocombustíveis do país, o que pode impactar o custo de captação de recursos.
Apesar da perspectiva negativa no rating global, a Fitch manteve a nota AAA na escala nacional com perspectiva estável, preservando o Investment Grade da companhia. O rating nacional reflete a comparação da Raízen com outras empresas brasileiras, enquanto o global considera padrões internacionais de risco.
A revisão da perspectiva indica que a agência monitora fatores que podem pressionar a qualidade creditícia da Raízen nos próximos 12 a 24 meses. Entre os possíveis motivos estão cenário macroeconômico, alavancagem financeira ou mudanças no setor de biocombustíveis.
O rebaixamento da perspectiva reflete diretamente os desafios financeiros enfrentados pela companhia na safra 2024/25, quando registrou prejuízo histórico de R$ 4,177 bilhões e viu sua dívida líquida saltar para R$ 34,264 bilhões, elevando a alavancagem para 3,2 vezes o EBITDA. A deterioração dos indicadores creditícios havia sido antecipada pelos mercados, com a saída parcial da BlackRock de sua participação acionária em maio, apenas semanas após a gestora americana atingir participação relevante de 5%.
Em resposta aos desafios creditícios, a Raízen já implementou medidas para reduzir o endividamento, incluindo a venda da Usina de Leme por R$ 425 milhões como parte de sua estratégia de reciclagem de ativos. Adicionalmente, a companhia reduziu significativamente seu CAPEX para o período 2025/26, estabelecendo investimentos entre R$ 9 bilhões e R$ 9,8 bilhões - uma redução de aproximadamente 18% - além de projetar R$ 500 milhões em ganhos de eficiência operacional.
Para investidores da RAIZ4, a manutenção do Investment Grade é positiva, já que permite acesso a recursos de fundos que só investem em empresas com essa classificação. No entanto, a perspectiva negativa pode antecipar ajustes na estrutura de capital ou estratégia operacional da companhia.








