A Raízen (RAIZ4) registrou queda de 20,7% na moagem de cana-de-açúcar no primeiro trimestre do ano-safra 2025/26, processando 24,5 milhões de toneladas contra 30,9 milhões no mesmo período do ano anterior. As chuvas ao longo do trimestre reduziram o ritmo da moagem e limitaram a diluição de custos no período, segundo a companhia.

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Em contrapartida, a empresa disparou 40,7% a produção de etanol de segunda geração (E2G), atingindo 22,8 mil metros cúbicos contra 16,2 mil m³ no 1T24/25. O crescimento foi impulsionado pelo início das operações das plantas Univalem e Barra, além da expansão da produção na planta Bonfim, reforçando a estratégia de diversificação tecnológica da companhia que ganha relevância após a reestruturação societária de R$ 7,87 bilhões anunciada em junho, focada em otimizar a estrutura de capital e gestão do grupo.

A produção de açúcar equivalente despencou para 2.790-2.820 mil toneladas, significativamente abaixo das 3.669 mil toneladas do mesmo trimestre anterior. Apesar da menor moagem, a Raízen conseguiu maximizar a produção de açúcar devido à melhor qualidade da cana, ajustando o mix para 52% açúcar e 48% etanol, ante 50/50 no ano anterior. Este ajuste operacional demonstra a capacidade de adaptação da empresa, contrastando com os desafios enfrentados na safra 2024/25 quando registrou prejuízo histórico de R$ 4,177 bilhões devido ao clima seco e queimadas.

As vendas de etanol próprio recuaram 26,2% para 496 mil metros cúbicos, reflexo da menor produção e da estratégia comercial para o ano. Já as vendas de açúcar próprio subiram 30,1% para 995 mil toneladas, alinhadas à disponibilidade do produto e estratégia de embarques. A distribuidora de combustíveis manteve volumes estáveis no Brasil (6.720-6.800 mil m³) e na Argentina (1.720-1.760 mil m³). A estabilidade operacional ocorre em um cenário de fortalecimento financeiro, considerando a captação de US$ 750 milhões em bonds internacionais em junho, que consolidou a estratégia de desalavancagem da companhia.

A Raízen divulgará os resultados auditados do 1T25/26 no dia 13 de agosto de 2025, após o fechamento do mercado, com teleconferência marcada para 14 de agosto. A empresa entrará em período de silêncio a partir de 29 de julho, seguindo práticas de governança corporativa e fair disclosure. Os números preliminares sinalizam uma operação em processo de normalização, especialmente relevante após a confiança dos investidores ter sido testada com a perspectiva de rating rebaixada pela Fitch no início do ano-safra.

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