A Dexco divulgou os números do 2T25 e do 1S25 com trajetória de melhora operacional: lucro líquido recorrente de R$ 114 milhões no semestre, EBITDA ajustado e recorrente pró-forma de R$ 1.313 milhões no 1S25 (inclui 49% da LD Celulose) e de R$ 443 milhões no 2T25, com margem de 20,9% — ou R$ 788 milhões no semestre, margem de 19,6%, excluindo os efeitos da equivalência da LD Celulose. A receita líquida recorrente avançou 6% no trimestre (R$ 2.122 milhões) e 2% no semestre (R$ 4.024 milhões), enquanto o EBITDA pró-forma cresceu 18% vs. 2T24 e 1S24.

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Os motores do período foram a Divisão Madeira e a contribuição da LD Celulose. Em Madeira, o volume ficou praticamente estável em 753 mil m³, a receita líquida recorrente subiu para R$ 1.432 milhões (+16% a/a) e o EBITDA ajustado alcançou R$ 428 milhões, com margem de 29,0% (25,8% no 2T24), sustentados por repasses de preço, melhoria de mix e monetização de ativos florestais. A utilização de capacidade atingiu 92% (MDP 97% e MDF 87%), enquanto a LD Celulose operou em plena capacidade ao longo do semestre, reforçando a rentabilidade pró-forma.

No front de eficiência, a administração aponta ganhos operacionais próximos de +4 p.p. e “resultados positivos na Divisão de Acabamentos para a Construção”, mesmo em ambiente competitivo. O movimento dá continuidade à otimização industrial anunciada em julho — fechamento da fábrica de João Pessoa, consolidação no Cabo de Santo Agostinho e suspensão temporária de linhas de revestimentos no Sul —, cujo objetivo é elevar produtividade e rentabilizar ativos após pressões de ramp-up e ociosidade.

A disciplina de capital aparece com a aproximação do fim do ciclo de investimentos 2021–2025: o CAPEX em projetos recuou 42%, com R$ 106 milhões no 2T25 (sustaining de R$ 205 milhões), além de OPEX florestal de R$ 140 milhões e manutenção de R$ 66 milhões; no 1S25, o sustaining somou R$ 367 milhões e projetos, R$ 267 milhões. O semestre exigiu mais capital de giro, enquanto a alavancagem fechou em 3,39x Dívida Líquida/EBITDA (UDM), com custo médio de 107,1% do CDI e prazo de 4,3 anos (27% no curto, 73% no longo). Essa dinâmica de consumo de capital de giro e ajuste fabril já vinha sendo indicada pelos números recentes, inclusive pelo fluxo de caixa livre sustaining negativo no 2T25, quando a Divisão Madeira despontou como principal alavanca de rentabilidade.

Em perspectiva, a conclusão do ciclo 2021–2025 e a captura integral dos ganhos de preço/mix e eficiência nas unidades reestruturadas tendem a sustentar margens e abrir espaço para desalavancagem. Seguem no radar a sensibilidade a juros, a demanda na construção civil e a disciplina na execução da reorganização fabril.

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