A Americanas (AMER3) divulgou nesta quarta-feira, 26 de março de 2025, seus resultados financeiros referentes ao exercício de 2024, registrando lucro líquido de R$ 8,3 bilhões, impulsionado principalmente por ganhos financeiros decorrentes da quitação das dívidas concursais após a implementação do Plano de Recuperação Judicial.
Apesar do resultado positivo no acumulado do ano, no quarto trimestre a companhia reportou prejuízo de R$ 586 milhões, ainda que represente uma melhora significativa em relação ao mesmo período de 2023, quando o prejuízo teria sido de aproximadamente R$ 2,2 bilhões, desconsiderando efeitos fiscais.
A receita líquida consolidada totalizou R$ 14,3 bilhões em 2024, apresentando ligeira redução de 2,8% em comparação com 2023. O GMV (Gross Merchandise Volume) total foi de R$ 21,4 bilhões, queda de 5,1% em relação ao ano anterior, resultado de comportamentos distintos entre canais: enquanto o GMV do varejo físico cresceu 11,9%, o digital recuou expressivos 48,9%.
Um dos destaques positivos foi o aumento de 14,8% nas vendas no conceito "mesmas lojas", que teriam crescido aproximadamente 19,8% no ano se excluídos os efeitos da decisão estratégica de não mais comercializar determinados itens de tíquete mais alto. Eventos sazonais como Páscoa, Black Friday e Natal apresentaram desempenho destacado.
O lucro bruto alcançou R$ 4,6 bilhões em 2024, representando crescimento de 10,4% em relação a 2023, com expansão da margem bruta de 28,4% para 32,3%. A companhia apontou que o resultado foi positivamente impactado por eventos extraordinários, incluindo recuperações tributárias e recuperação de verbas de propaganda.
O EBITDA ajustado registrou resultado positivo de R$ 947 milhões em 2024, revertendo o resultado negativo de R$ 2,3 bilhões em 2023. Esse avanço reflete os esforços de reestruturação operacional da empresa, com redução de 16,6% nas despesas com vendas, gerais e administrativas.
No balanço patrimonial, a Americanas encerrou 2024 com patrimônio líquido positivo de R$ 5,0 bilhões, revertendo o patrimônio líquido negativo de R$ 28,9 bilhões registrado em 2023. A recuperação foi impulsionada pelo aumento de capital de R$ 24,5 bilhões e pelos efeitos da reestruturação de dívidas, após o período crítico desencadeado pela fraude contábil bilionária descoberta em 2023.
A empresa encerrou o ano com dívida bruta de R$ 1,8 bilhão e disponibilidades totais de R$ 2,7 bilhões, resultando em caixa líquido de R$ 962 milhões. Considerando obrigações remanescentes do Plano de Recuperação Judicial, o saldo de caixa líquido era de aproximadamente R$ 450 milhões.
Durante 2024, a Americanas otimizou seu portfólio, encerrando operações em 92 lojas não rentáveis, o que resultou em redução de 4,3% na área total de vendas. Ao mesmo tempo, iniciou testes para otimizar a metragem de suas unidades e inaugurou uma nova loja na região Nordeste.
"O ano de 2024 representou um importante marco para a história de reconstrução da Americanas", afirmou a empresa na mensagem da administração, ressaltando que ainda há mais etapas a serem cumpridas no processo de recuperação e transformação do negócio. A companhia continua seguindo seu plano de reestruturação, que inclui sucessivos aumentos de capital nos últimos meses, como parte dos esforços para estabilizar suas operações após as oscilações atípicas no mercado.







