A EcoRodovias (ECOR3) encerrou os 12 meses até 30/09/2025 com lucro líquido de R$ 923 mi (acionistas controladores), receita líquida ajustada de R$ 7,2 bi e EBITDA ajustado de R$ 5,4 bi. No 9M25, a receita líquida foi de R$ 4,122 bi (+15,2% a/a) e o EBITDA ajustado alcançou R$ 3,409 bi (+19,3%), com margem de 75,5%. O portfólio soma 12 concessões (4.800+ km) e um ativo portuário. Em 2025, o tráfego consolidado atingiu 764.163 mil VEPs (+22,0% vs. 2024) e, no critério comparável, avançou 3,9%. Destacaram-se ganhos em Norte Minas (+11,4%), Minas Goiás (+7,0%), Capixaba (+5,1%) e Leste Paulista (+3,9%), com leve queda em Sul (–0,6%) e Araguaia (–0,6%). Os investimentos somaram R$ 3,4 bi no 9M25, com entregas relevantes (duplicações na BR-101/ES e BR-050/GO, novas faixas na Washington Luís/SP, ponte no Rio Doce/MG, ampliações na BR-135/MG e BR-153/TO). A dívida bruta foi de R$ 24,8 bi e a líquida, R$ 20,5 bi; alavancagem de 3,8x (pró-forma 3,6x). O perfil foi alongado, com 83% dos vencimentos a partir de 2029, e 69% da dívida alocada nas concessões no 3T25. No ESG, metas de redução de emissões (Escopos 1,2 e 3), diversidade na liderança e segurança viária até 2030; no pipeline, leilões da Rota Mogiana (27/02/2026), Bloco 2 RS (13/03/2026) e Rotas Gerais (31/03/2026).

Continua após o anúncio

Este desempenho consolida a leitura operacional construída ao longo do ano: o consolidado capturou a monetização das novas praças de 2025, enquanto o comparável preservou o crescimento orgânico. É a continuidade do padrão evidenciado nas prévias de tráfego de dezembro/25, com comparável +3,9% e consolidado +22% no ano, quando já se via a dispersão entre concessões por elasticidades locais, cronogramas de obras e sazonalidade. A fotografia de 2025 — com Norte Minas, Minas Goiás e Capixaba puxando o ritmo e uma fraqueza pontual em Sul e Araguaia — reforça que o núcleo orgânico segue resiliente, ao passo que as frentes abertas neste ciclo migram de “volume” para “receita”, sustentando margens elevadas em linha com a maturação do ramp-up.

Para transformar esse volume em caixa com menos fricção e dar suporte à margem de 75,5%, a companhia acelerou a agenda de digitalização de cobrança e interoperabilidade entre malhas — exatamente o vetor inaugurado pelo acordo com a Motiva para plataforma interoperável de free flow (Inovap/PedagioDigital). Ao padronizar meios de pagamento e reduzir perdas em pórticos, a EcoRodovias aumenta a captura integral do tráfego nas novas e antigas praças, cumpre obrigações regulatórias e ganha previsibilidade de conversão em receita recorrente. Essa infraestrutura tecnológica tende a ser determinante em 2026, quando o ramp-up de praças inauguradas em 2025 amadurece e a mistura de veículos pesados (58,5% do tráfego) favorece a monetização por corredores logísticos. Com capex robusto já entregue e caixas mais previsíveis, a empresa ancora sua tese em eficiência operacional, disciplina de execução e experiência do usuário, preparando terreno para os próximos leilões.

Na frente contratual e financeira, a estabilidade regulatória também sustenta o alongamento de passivos (83% dos vencimentos a partir de 2029) e a maior alocação de dívida nas concessões. Esse caminho ganhou tração com o reconhecimento do desequilíbrio econômico‑financeiro da Ecovias dos Imigrantes pela ARTESP, encadeando reequilíbrios e aditivos que reduzem volatilidade de caixa e alinham recomposições à vida útil dos ativos. Em conjunto com a gestão de passivos que reduziu o custo e ampliou a duration, a previsibilidade contratual dá visibilidade a cronogramas de obras e nível de serviço, ao mesmo tempo em que fortalece a posição competitiva da EcoRodovias para disputar Rota Mogiana, Bloco 2 RS e Rotas Gerais com disciplina financeira e foco em retorno (TIR) aderente às premissas do poder concedente.

Publicidade
Tags:
EcoRodoviasECOR3