O Banco ABC Brasil aprovou aumento de capital de até R$ 314,1 milhões por subscrição privada, elevando o capital social de R$ 5,698 bi para até R$ 6,013 bi. O preço de emissão por ação (ON e PN) é de R$ 19,697445568, definido pela média ponderada das PNs nos 10 pregões de 08 a 19/12/2025, com deságio de 20%. Em 2023, os preços foram de R$ 18,97 (2º sem) e R$ 14,49 (1º sem). Serão emitidas até 15.944.224 ações (8.129.009 ON e 7.815.215 PN), com mínimo de 10.363.745 em homologação parcial (65%). As novas ações terão os mesmos direitos e participarão integralmente de remunerações a partir da homologação. O conselho fiscal foi favorável em 19/12. A integralização poderá ocorrer em moeda nacional ou via crédito líquido de IR de JCP declarados em 22/12/2025. O direito de preferência é de 6,611009444% por espécie com base em 29/12/2025; a subscrição vai de 02/01/2026 a 02/02/2026 (via Itaú Unibanco/B3). Havendo sobras, o período adicional será de 23 a 27/02/2026; remanescentes serão leiloados, e a companhia poderá homologar parcialmente a partir de 65%, com direito de revisão pelos subscritores.

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Os recursos visam manter índices de liquidez e capitalização diante da expectativa de expansão do crédito no médio e longo prazos. Este movimento consolida a calibragem de capital do 2º semestre: depois do ajuste do custo de híbridos e de um trimestre de margem forte e Basileia folgada, o banco reforça o colchão com capital comum, reduzindo a dependência de alavancagem para crescer, em linha com os NIM recorde e capital confortável no 3T25. À época, o ABC reportou ROAE de 15,5% e Basileia de 16,7% (Nível 1: 14,3%), já considerando o efeito pró-forma do resgate de AT1 em outubro. A emissão, privada e com direito de preferência de 6,61%, preserva a proporcionalidade entre ON/PN e minimiza a diluição potencial (6,12%) caso todos acompanhem, além de permitir quitação com crédito líquido de IR de JCP — sinal de gestão ativa do capital e da remuneração.

Em termos de planejamento, a operação dialoga com a revisão do guidance 2025 que reduziu a expansão da carteira para 1% a 4%, reforçando o crescimento seletivo com foco em rentabilidade. Ao optar por reforçar o CET1 via subscrição privada — com possibilidade de homologação parcial a partir de 65% — o banco preserva folga regulatória para sustentar originação com melhor retorno ajustado ao risco, sem pressionar provisões ou eficiência além do planejado. Em outras palavras, a captação funciona como um seguro de execução: habilita a casa a acelerar quando o custo de risco e os spreads justificarem, mantendo a opcionalidade de compor resultados por margem e mix caso o volume siga moderado. A janela de preço com 20% de deságio e o regramento de sobras/remanescentes reforçam a disciplina e a previsibilidade na alocação.

No pano de fundo setorial, o diagnóstico setorial do ABC Day de novembro, com desaceleração do crédito e spreads firmes, ajuda a entender o timing: o ciclo segue seletivo, com assimetria de risco entre grandes companhias e PMEs e inadimplência estruturalmente mais alta no Middle/Small. Ao ampliar a capacidade de acomodar crescimento sem comprometer índices prudenciais, o ABC se posiciona para capturar oportunidades com preço e garantias adequados, mantendo a agenda de eficiência. A combinação de capital reforçado, direito de preferência e possibilidade de integralização via JCP tende a equilibrar o interesse do acionista com as metas de longo prazo, preservando o ROE estrutural à medida que o mercado de crédito recupera fôlego em 2025/2026.

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