O ABC Day de novembro do Banco ABC Brasil trouxe um retrato abrangente do crédito corporativo no país: o estoque alcançou R$ 4,0 trilhões no 2T25, distribuídos entre R$ 2.544 bilhões em empréstimos, R$ 971 bilhões em títulos privados e R$ 504 bilhões em garantias. Desde 2020, a carteira expandida do segmento passou de R$ 2.406 bilhões para R$ 4.019 bilhões (CAGR de +12%), puxada por títulos (+27%) e garantias (+13%), enquanto empréstimos avançaram +8%. Em 2025, o crescimento dos empréstimos corporativos livres desacelerou de 10,9% (jan) para 4,0% (set); os spreads de empréstimos ficaram em 11,2% em set/25. Por segmento, a inadimplência é de 0,4% em Large/Corporate e 5,4% em Middle/Small, com Estágio 3 de 3,6% e 8,9%, respectivamente. No pano de fundo fiscal, as projeções apontam dívida bruta de 80% do PIB em 2025, subindo a 91% em 2029, enquanto Bacen/Febraban projetam avanço de 5%–6% nos empréstimos corporativos livres em 2025/2026.

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Este retrato ajuda a explicar por que o ABC Brasil tem privilegiado seletividade e preço sobre volume. A revisão do guidance 2025, que reduziu a expansão da carteira para 1% a 4% e reforçou o crescimento seletivo com foco em rentabilidade antecipou um ambiente de crédito mais moderado, com spreads resilientes e maior assimetria de risco entre grandes companhias e PMEs — exatamente o contraste evidenciado pelo ABC Day entre Large/Corporate (NPL de 0,4%) e Middle/Small (5,4%). Nesse contexto, o banco tende a priorizar originação com melhor retorno ajustado ao risco, calibrando mix, precificação e garantias à luz das projeções de Bacen/Febraban e do quadro fiscal mais exigente. A combinação de spreads firmes e crescimento mais contido favorece a captura de margem com clientes sem comprometer qualidade de crédito.

A leitura também dialoga com a execução recente: os NIM recorde e execução disciplinada no 3T25 mostraram que a lucratividade veio mais da precificação e do mix (com ganho em Middle) do que de expansão acelerada do estoque, enquanto as despesas seguiram sob controle e a inadimplência permaneceu em patamares baixos. Em outras palavras, o ABC Day fornece o pano de fundo setorial para sustentar uma estratégia de ROE baseada em preço, risco e eficiência, não em alavancagem. Essa postura foi viabilizada pela otimização de capital — redução do custo de instrumentos híbridos e preservação de folga — materializada no resgate de R$ 176,4 milhões em instrumentos perpétuos (AT1) em 17/10/2025, que diminui a dependência de crescimento volumétrico para entregar retorno.

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