O Banco ABC Brasil revisou seu guidance 2025: carteira de crédito expandida agora de 1% a 4% (antes 7% a 12%); crescimento de despesas de pessoal, administrativas e PLR de 4% a 7% (antes 6% a 11%); e índice de eficiência entre 39% e 40% (antes 36% a 38%). A administração ressalta tratar-se de projeções sujeitas ao cenário macro e de mercado.
Na prática, a revisão reforça uma postura de crescimento seletivo com foco em rentabilidade, mais aderente ao comportamento recente do balanço: a carteira total vinha avançando de forma moderada, enquanto a margem com clientes ganhava tração e as despesas já rodavam abaixo do piso da faixa inicial. Esse encaixe com os resultados do 3T25, com NIM recorde e despesas crescendo 3% a/a, abaixo do piso do guidance sugere que a companhia realinha as metas ao run-rate observado, preservando qualidade de crédito e ROE, ainda que aceite um índice de eficiência um pouco acima do previsto originalmente. Com a carteira expandida crescendo 0,4% t/t e 4,6% a/a no 3T25, a opção por metas de 1% a 4% para 2025 indica prudência frente ao ciclo de crédito e à normalização da margem financeira após patamar recorde.
Além do vetor operacional, a calibragem de capital vista ao longo do segundo semestre também orienta a execução: ao reduzir o custo de instrumentos híbridos e ajustar marginalmente o Nível I, o banco diminui a dependência de expansão volumétrica para sustentar retorno. Esse caminho foi explicitado no resgate de R$ 176,4 milhões em instrumentos perpétuos em 17 de outubro de 2025, que preservou liquidez e reforçou a disciplina financeira. Na sequência, a instituição manteve Basileia confortável mesmo após o ajuste pró-forma no Nível I, abriu espaço para combinar JCP e recompras e, sobretudo, reposicionou a estratégia para capturar margem com clientes sem pressionar risco e provisões. Mantendo a mesma lógica de alocação, a administração reforçou o retorno ao acionista com o programa de recompra aprovado em 26 de setembro de 2025, sinalizando preferência por eficiência de capital e rentabilidade ajustada ao risco, em detrimento de perseguir crescimento a qualquer custo.







