Na quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, a Dexco aprovou aumento de capital por capitalização de reservas no valor de R$ 1 bilhão, com bonificação de 12 novas ações para cada 100, totalizando 98.467.950 ações ordinárias. O capital social passou a R$ 4.370.188.626,80, dividido em 919.034.196 ações. Terão direito à bonificação os acionistas na posição de 23/12/2025; as ações ficam “ex” a partir de 26/12/2025, com crédito em 30/12/2025. As frações poderão ser ajustadas entre 02/01/2026 e 02/02/2026, sendo eventuais sobras leiloadas na B3. Para fins fiscais, a companhia atribuiu custo de aquisição de R$ 10,155588697 por ação às bonificadas.
Como não há entrada de caixa, a operação reclassifica reservas (legal e estatutárias) para capital social, aumentando o número de ações e ajustando o preço por ação sem alterar a participação econômica dos atuais acionistas. Na prática, preserva liquidez e reforça disciplina financeira, funcionando como remuneração indireta sem pressão de caixa — coerente com o pagamento de JCP e dividendos anunciado em 4 de dezembro de 2025 (pagamento de JCP e dividendos anunciado em 4 de dezembro de 2025). Ao optar por bonificar e usar reservas de equalização de dividendos, aumento de capital de empresas participadas e reforço de capital de giro, a Dexco sinaliza maturidade do patrimônio após o fim do ciclo de investimentos, mantendo a prioridade em desalavancagem e previsibilidade de caixa, sem comprometer buffers.
A bonificação também se encaixa na sequência de reorganização do passivo executada ao longo do 4º tri. Em novembro, a companhia eliminou parte relevante dos vencimentos de 2026 por meio do resgate antecipado da 2ª emissão de debêntures e o pré‑pagamento de dívida em dólar realizados em novembro. Medidas dessa natureza reduzem sensibilidade a CDI e câmbio, derrubam despesas financeiras e criam folga de liquidez para decisões societárias neutras em caixa, como a bonificação. Na prática, a combinação de pré‑pagamentos e resgates achata o “muro” de vencimentos, baixa o risco de refinanciamento e fortalece o balanço para a fase pós‑ciclo — um passo típico antes de reorganizações patrimoniais que ajustam a base de capital e simplificam a comunicação com investidores sobre capacidade de geração e política de proventos.
Na mesma toada, a empresa aprofundou o liability management dias depois, com o resgate antecipado das Notas Comerciais da 1ª emissão anunciado em 11 de dezembro de 2025, eliminando passivos acima do custo ideal e capturando ganho financeiro imediato. Em conjunto, essas decisões explicam por que a companhia consegue bonificar acionistas preservando caixa e, ao mesmo tempo, acelerar a redução do custo médio da dívida. A mensagem estratégica é consistente: primeiro arrumar vencimentos e custo do passivo; depois, ajustar a estrutura de capital com instrumentos que não drenam liquidez e mantêm a trajetória de desalavancagem, sustentando espaço para proventos crescentes conforme a normalização operacional avance.
Esse desenho financeiro também foi viabilizado pela segregação do funding do negócio florestal, que protege o caixa da holding e casa prazos com o ciclo de madeira. O pilar ganhou tração com a ampliação da 1ª emissão de CPR‑Fs da Duratex Florestal para R$ 1,6 bilhão, com prazo de 8 anos, diversificando fontes além de linhas bancárias e debêntures. Ao isolar o financiamento florestal, a Dexco estabiliza capital de giro, reduz a pressão sobre a tesouraria corporativa e cria previsibilidade para decisões societárias como a bonificação — que, sem saída de caixa, fortalece a coesão da estratégia: balanço mais leve, custo financeiro menor e base de capital organizada para uma nova fase de crescimento disciplinado.







