Em 18 de novembro de 2025, a Dexco (DXCO3) anunciou que, em 26 de novembro, fará o resgate antecipado da totalidade das debêntures da 2ª emissão, com saldo de principal de R$ 600 milhões, acrescido de juros remuneratórios e prêmio. Na mesma data, a companhia também realizará o pré-pagamento de dívida em moeda estrangeira no valor de principal de US$ 70 milhões, com os encargos aplicáveis. As debêntures foram originalmente emitidas em 6 de maio de 2019, com vencimento em 17 de maio de 2026, e o contrato da dívida em dólar data de 10 de maio de 2023, com vencimento em 11 de maio de 2026. O pagamento aos debenturistas ocorrerá em 27 de novembro de 2025. Segundo a empresa, os recursos virão do próprio caixa e o objetivo é reduzir os vencimentos de 2026, otimizar o perfil do endividamento e diminuir os custos financeiros.
Este movimento consolida a reconfiguração do passivo e a redução do risco de refinanciamento que a Dexco vinha sinalizando ao mercado. Na prática, ao eliminar obrigações relevantes previstas para 2026, a companhia suaviza o “muro” de vencimentos, reduz sensibilidade a CDI e a câmbio e reforça o compromisso com a desalavancagem após o fim do ciclo de investimentos. A decisão dialoga com o marco de transição do 3T25, que evidenciou custo financeiro elevado (99,6% da dívida atrelada ao CDI) e a agenda de alongamento do passivo, convertendo discurso em execução por meio de pré-pagamentos e resgates seletivos.
Além do ganho financeiro direto, o passo atual só é possível com uma base de liquidez organizada ao longo do semestre. Diferentemente de uma rolagem tradicional, a empresa utiliza caixa próprio apoiada por buffers compromissados, o que preserva flexibilidade durante a travessia operacional e evita carregar excesso de caixa caro. Nesse sentido, o movimento dá continuidade à estratégia de prudência e à gestão ativa do passivo vista na renovação da linha rotativa de R$ 750 milhões por dois anos, em setembro, que funcionou como seguro de liquidez e reduziu o risco de refinanciamento enquanto a companhia avançava na normalização do capital de giro e na estabilização de margens.
Em paralelo, a Dexco vem reposicionando fontes de funding para casar prazos com ativos e liberar a tesouraria corporativa para alocar capital onde o retorno é mais claro. Ao segregar e alongar o financiamento do negócio florestal, a empresa reduz a pressão sobre o caixa da holding, mitigando a necessidade de endividamento de curto prazo e fortalecendo a resiliência do balanço — um desenho que conversa diretamente com o resgate e o pré-pagamento anunciados agora. Essa lógica ficou evidente na outorga de aval às CPR-Fs de 8 anos na controlada Duratex Florestal, que diversificou fontes, reduziu o risco de refinanciamento e sustentou a execução disciplinada do programa de liability management.







