No Investor Day 25, a Vibra apresentou suas “avenidas de crescimento 2030” amparadas por execução operacional robusta em 2025: 357 novos postos até novembro (embandeiramento recorde em 5 anos), redução de frete superior a R$ 350 milhões, R$ 150 milhões em eficiência e avanço de segurança com zero fatalidades. Nos postos, a margem EBITDA/m³ evoluiu de R$ 84 (2022) para R$ 182 (2023), R$ 184 (2024) e R$ 169 no 9M25, com trimestres de 2025 oscilando entre R$ 119 e R$ 196. Embora o market share de varejo tenha recuado (24,8% em 2022 para 20,6% no 9M25), a companhia sinaliza “consolidação da margem — point of no return”, sustentada por mix e pricing. Em B2B, o share de diesel cedeu, mas a margem EBITDA/m³ subiu para R$ 219 no 9M25, com up sell (Agritop e Grid) e cross sell em lubrificantes (+14% a/a). Logística reforça competitividade via IA na malha, ampliação de pools e modais de larga escala; e a aviação ganhou 4 p.p. de share entre janeiro e outubro.

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Na originação, a ênfase é flexibilidade de suprimento e arbitragem, com o “Case do Etanol” mostrando liderança de share e +40% de margem comercial. Essa direção fica clara com o encerramento da joint venture na Evolua (etanol), com fechamento estimado para o 1T26, que reduz amarras contratuais e amplia alternativas de abastecimento. A agenda se soma a um “marco de inflexão” regulatório: avanço contra assimetrias competitivas reduziu a participação de players irregulares (21,4% para 17,9% ao longo de 2025), enquanto a Vibra aumentou o share em combustíveis claros (21,1% para 22,4%), reforçando a tese de captura de valor em um ambiente mais isonômico e com disciplina de capital aplicada a bases e footprint logístico.

Essa trajetória de eficiência e expansão comercial vem ancorada por caixa e balanço. A companhia encerrou o 3T25 com execução forte que dá lastro à aceleração de postos, maior uso de IA em pricing e avanço de premiumização e canais digitais; a melhora do perfil de passivos e a liberação de capital de giro aumentaram o fôlego para crescer sem abrir mão de retorno. Esse pano de fundo foi evidenciado na entrega do 3T25 com Ebitda de R$ 1,8 bi, forte geração de caixa e liberação de capital de giro, além de recordes em lubrificantes e um calendário que já apontava para o Investor Day, conectando metas de margem por m³, CAPEX (R$ 460 mi até setembro) e programa de eficiência logística contínua.

Ao mesmo tempo, a leitura de risco permanece pragmática. A própria apresentação ressalta que o avanço do mercado, isoladamente, não garante sustentabilidade dos resultados, e que 2026 seguirá exigindo atuação sobre irregularidades (monofasia de etanol/nafta, solidariedade tributária, CBIOs, devedor contumaz e biodiesel). Essa cautela dialoga com a dinâmica dos renováveis e a revisão do guidance da Comerc para R$ 1,05–1,15 bi em 2025 diante do curtailment, que reforçou a necessidade de mitigantes operacionais, aceleração de usinas e eficiência para suavizar volatilidade exógena sem desorganizar a alocação de capital.

Do lado societário-financeiro, a disciplina foi convertida em retorno ao acionista, sem perder a cadência de investimentos. A aprovação de JCP de R$ 850 mi e bonificação, consolidando a disciplina de capital, combinada ao investment grade e ao alongamento de passivos, sustenta um ciclo virtuoso: base financeira sólida para perseguir as avenidas de crescimento — expansão de rede, logística inteligente, liderança em lubrificantes — enquanto a empresa captura ganhos de mix e eficiência e preserva opcionalidade para originação em um setor que passa por reequilíbrio regulatório.

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