Na quinta-feira, 16 de outubro de 2025, a Vibra (VBBR3) informou que a Comerc revisou a projeção do EBITDA @Stake para 2025 para R$ 1,05–1,15 bilhão, ante R$ 1,3 bilhão. A revisão decorre do aumento do curtailment — redução compulsória da geração por limitações na rede de transmissão ou por determinação do operador do sistema — observado nos dois últimos trimestres, com cortes de 34% e 20% da geração. Segundo a companhia, as iniciativas de eficiência e a antecipação da entrada em operação de novas usinas mitigaram parcialmente o efeito, mas não o eliminaram. O indicador @Stake corresponde ao EBITDA proforma proporcional aos negócios e projetos da Comerc, excluindo marcação a mercado de contratos de longo prazo e despesas não recorrentes. A Vibra seguirá empenhada em mitigar impactos e reapresentará o Formulário de Referência com as projeções revisadas, nos termos da Resolução CVM nº 80.

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Este ajuste consolida um capítulo de gestão de riscos na vertical de renováveis e contrasta com o tom mais benigno que vinha se formando na trajetória recente da companhia. Em 23 de setembro, a Vibra obteve rating BBB- (grau de investimento) concedido em 23 de setembro de 2025, sustentado por posição competitiva na distribuição, cobertura nacional e geração consistente de caixa, com expectativas de avanço do Ebitda. A revisão do guidance da Comerc evidencia que, apesar do reforço de crédito e da execução no core de distribuição, a tese em renováveis carrega riscos operacionais exógenos — como restrições na rede — que podem introduzir volatilidade de curto prazo. Ainda assim, a comunicação tempestiva, a exclusão de efeitos não recorrentes no @Stake e o compromisso de atualizar o FR reforçam disciplina de disclosure e calibram expectativas.

Do ponto de vista de acionistas, o novo intervalo para 2025 testará a leitura de longo prazo construída no segundo semestre. Logo após o investment grade, registrou-se a ampliação da participação da Nova Futura para 10,14% em 24 de setembro de 2025, ancorada em execução resiliente, gestão de passivos e tração da Comerc. O curtailment reposiciona as premissas para a unidade de renováveis, mas mantém a narrativa de continuidade: acelerar a entrada de usinas, intensificar ganhos de eficiência e, se necessário, recalibrar a alocação entre distribuição e geração para proteger retorno e alavancagem. Para investidores, o foco passa a recair sobre a eficácia das mitigantes, a normalização das restrições de rede e a convergência do resultado efetivo ao novo intervalo de R$ 1,05–1,15 bilhão.

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