Hidrovias do Brasil (HBSA3) reportou no 3T25 receita de R$ 711 milhões e EBITDA ajustado recorrente de R$ 361 milhões, com margem de 51%. Na comparação anual, a receita avançou 46% (R$ 488 milhões no 3T24) e o EBITDA mais que dobrou (de R$ 169 milhões), elevando a margem em 16 p.p. No acumulado de 9M25, a receita somou R$ 1,956 bilhão e o EBITDA R$ 965 milhões, com margem de 49% (9M24: 39%). Por operação, o Corredor Norte entregou 2.263 kton e margem de 59% com navegação normalizada; o Corredor Sul registrou 1.543 kton e margem de 54% com recuperação do minério; Santos operou 484 kton e margem de 40% num mercado de fertilizantes retraído; e a Navegação Costeira teve carga de 892 kton e margem de 50% em ano de docagem. A alavancagem encerrou em 2,9x, com custo médio da dívida a 103,5% do CDI e cronograma de amortizações diluído.
Este resultado consolida a virada operacional iniciada no novo ciclo estratégico com reprofilhamento da dívida e queda da alavancagem para 4,0x. Desde então, a companhia vem combinando alongamento de passivos e ganho de eficiência: a alavancagem recuou de 7,0x no 4T24/4,0x no 2T25 para 2,9x agora, enquanto o custo de captação cedeu adicionalmente para 103,5% do CDI (vs 108% indicado no ciclo anterior). O desempenho do Corredor Norte, com margem de 59% e volumes sustentados por navegabilidade normalizada, dialoga com a expansão modular planejada no Arco Norte e a priorização de projetos de maior retorno; no Sul, a normalização do calado e a retomada do minério suportam margens acima de 50%, ao passo que Santos atravessa um ciclo de demanda mais fraco em fertilizantes sem perder disciplina de custos e comercial.
No eixo de portfólio e foco, a mensagem também é de continuidade. A gestão concluiu a saída da cabotagem, reduzindo complexidade operacional e direcionando capital aos corredores core; a classificação como operação descontinuada nesta divulgação reforça o redesenho do mix. Esse passo encerra um capítulo de simplificação iniciado no começo do ano e se materializa na conclusão da venda da Navegação Costeira por R$ 715 milhões e foco nos corredores Norte e Sul, abrindo espaço para diluição de alavancagem via geração de caixa e ganhos de previsibilidade contratual.
Em governança e custo de capital, a estabilidade do bloco de controle segue como pilar para sustentar o ciclo. O reforço do acionista controlador ao longo de 2025 — com sinalização de horizonte de longo prazo e capacidade de ancoragem de funding — foi explicitado no reforço da participação do controlador para 55% em setembro. Essa combinação com a “incorporação de risco Ultra” já havia reduzido o custo de dívida e, agora, o EBITDA LTM de R$ 957 milhões e o caixa de R$ 1,3 bilhão dão folga para honrar um cronograma de amortizações concentrado no longo prazo (apenas R$ 239 milhões em 12 meses), mantendo a disciplina de capital e a coerência com a estratégia de crescimento modular nos corredores core.







