Na quarta-feira, 12/11/2025, a Cosan (CSAN3) homologou aumento de capital por dentro do limite autorizado, emitindo 287,5 milhões de ações ON a R$ 5,00, somando R$ 1,4 bilhão. As novas ações passam a negociar em 13/11 e a liquidação ocorre em 14/11. Com isso, o capital social vai a R$ 10,3 bilhões e o total de ações a 3,966 bilhões; somadas à Primeira Oferta, as captações atingem R$ 10,5 bilhões. Do preço, R$ 1,00 vai para capital social e R$ 4,00 para reserva de capital. A Segunda Oferta, destinada a investidores profissionais no Brasil e no exterior (Rule 144A/Reg S), repetiu o preço de R$ 5,00, teve acréscimo de 53,33% via Ações Adicionais (100 milhões), não contou com lote suplementar nem estabilização, e manteve a suspensão de ADSs por 40 dias. Houve exclusão do direito de preferência, mas com Direito de Prioridade a acionistas posicionados em 19/09/2025; pessoas vinculadas foram restringidas diante de excesso de demanda superior a 1/3 da oferta inicial. Os recursos líquidos poderão fortalecer a estrutura de capital da Cosan e de suas controladas/investidas, incluindo a Raízen, tema que a companhia segue avaliando com a Shell.

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Este movimento consolida a estratégia em duas janelas, a precificação única e o foco em desalavancagem delineados no Acordo de Investimento com investidores âncora e a estrutura em duas ofertas, anunciado em 21/09/2025. Na prática, a empresa transformou a agenda de liability management em uma trajetória de reforço de capital com governança (lock-ups, acordo de acionistas) e garantia de colocação na primeira janela, mitigando risco de execução e priorizando uma base de longo prazo. A homologação agora é o elo que converte o desenho estratégico em efeitos contábeis e financeiros, ao mesmo tempo em que preserva opcionalidade de portfólio.

A decisão de hoje sucede a precificação da Primeira Oferta a R$ 5,00, com emissão de 1,8125 bilhão de ações e demanda superior a 1/3, quando a companhia também comunicou o ajuste de escopo no uso de recursos: além da amortização da dívida na holding, passou a admitir o reforço de capital em controladas e investidas, incluindo a Raízen. Diferentemente do guidance inicial mais restrito, o enunciado atual reafirma essa flexibilidade, coerente com o objetivo de melhorar perfil de crédito e liquidez do ecossistema Cosan, sem abandonar a prioridade de desalavancagem corporativa e disciplina de capital.

Operacionalmente, a homologação da Segunda Oferta reflete o desenho previamente submetido no protocolo da Segunda Oferta sob a Resolução CVM 160, com 187,5 milhões de ações, até 100 milhões adicionais (53,33%), sem greenshoe/estabilização e com suspensão de ADSs. Os termos de prioridade (data de corte de 19/09), a exclusão do direito de preferência com Direito de Prioridade, e as restrições a pessoas vinculadas diante de excesso de demanda convergem com o roteiro anunciado, reforçando uma execução disciplinada mesmo sem mecanismos tradicionais de estabilização — o que, por outro lado, implica maior volatilidade no pós-oferta.

Com a soma das duas janelas, a captação total de R$ 10,5 bilhões fecha um ciclo que começou na abertura do ciclo de capitalização com ancoragem a R$ 5,00 e estrutura de duas ofertas. Este marco reforça a agenda de desalavancagem, amplia a flexibilidade para endereçar vencimentos e custo da dívida e cria espaço para, se necessário, apoiar ativos estratégicos como a Raízen. Para o investidor, os próximos pontos de monitoramento são a alocação efetiva dos recursos, a trajetória da dívida líquida na holding, a resposta das agências de rating ao novo perfil de crédito e qualquer avanço em alternativas de capitalização da Raízen ao lado da Shell.

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